JANEIRO 2019

Soja e outras plantas de verão em pleno crescimento.
Citros, café e cana de açúcar enfrentando limitações do clima.

 
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:: ARTIGO Nº10: SISTEMAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA - OBSTÁCULOS A SEREM VENCIDOS
Ciro Antonio Rosolem - rosolem@fca.unesp.br
Um sistema de produção agrícola deve ser sustentável. Antes de mais nada deve ter sustentabilidade econômica, o que permitirá, como conseqüência, investimentos para se conseguir sustentabilidade social e ambiental. Sistemas de produção com Integração Lavoura-Pecuária, ou mesmo Integração Lavoura-Pecuária-Floresta representam a evolução mais recente da agricultura. Embora muitos aspectos estejam ainda para serem descobertos, aprendidos, entendidos para a melhoria do sistema, muito já se fez. Nos primeiros tempos se utilizava como forrageira, principal produtora de palhas, quase unicamente espécies de braquiárias. Atualmente se encontra uma variedade maior de espécies cultivadas, o que é positivo, já que trabalhar com apenas uma espécie acarreta maiores riscos a todo o sistema, tornando-o mais vulnerável. Embora a utilização mais espécies se constitua numa evolução do sistema de produção em relação ao uso exclusivo da braquiária, com a diversificação, em geral, há necessidade de melhor qualidade de gerenciamento que os sistemas mais simples.

Algumas vezes, a não adoção de algumas técnicas ou espécies em rotação se deve mais à deficiência de gerenciamento e/ou máquinas do que ao clima, por exemplo. Um problema adicional é a instabilidade dos mercados e a falta de gerenciamento da comercialização a longo prazo. Desta forma, ou o agricultor se prende ao seu sistema de rotação, saindo do ótimo econômico, ou obedece ao mercado, saindo do ótimo gerenciamento do sistema. A falta de pessoas capacitadas para um bom gerenciamento do sistema tem sido um dos entraves ao seu desenvolvimento. Aliás, a falta de gente qualificada tem sido um obstáculo ao crescimento de diversas áreas de atividade no Brasil.

Há necessidade de se convencer as Universidades brasileiras, principalmente as com vocação agrícola, a envolver mais gente e mais recursos na formação de pessoal qualificado no desenvolvimento e gerenciamento de sistemas de produção agrícola.

Um entrave observado na maioria das propriedades que desenvolvem sistemas de produção agrícola com rotação de culturas e algum tipo de integração com a pecuária, é a dependência do uso de adubo nitrogenado para o sucesso do sistema. Na maior parte das propriedades pode se observar carência de nitrogênio no sistema. Mesmo com custos maiores, o resultado econômico do uso de maiores doses de nitrogênio pode ser vantajoso, afinal a integração nada mais é do que um melhor aproveitamento dos recursos que estão disponíveis. Mas, em muitos casos a eficiência do sistema é limitada por falta de nitrogênio no sistema. Normalmente, uma propriedade que utilizaria num sistema convencional entre 60 a 80% dos seus recursos, passa a utilizar cerca de 90% a 95% de seus recursos num sistema integrado. Desta forma, um melhor entendimento da dinâmica do N nos sistemas seria importante para se tentar melhorá-lo. Ainda, seria interessante que se viabilizasse o uso de mais leguminosas no sistema, procurando-se diminuir o custo e melhorar a sustentabilidade.

Cabe destacar que apesar de se classificar os sistemas de produção como Integração Lavoura-Pecuária, os estabelecimentos agrícolas apresentam grandes diferenças nas espécies empregadas e nas formas de manejo. De forma geral, é interessante o uso de uma espécie de alto valor agregado no sistema, tais como algodão ou feijão. O problema é que a introdução destas espécies torna o sistema mais complexo e de gestão mais difícil, além de se diminuir, por um ciclo, o aporte de palha.

Em muitas propriedades, mesmo conduzidas em alto nível tecnológico, muitas vezes contando com assessorias específicas, ainda persistem procedimentos em que o mais básico da ciência agronômica é, até certo ponto, negligenciado. Por exemplo, apesar do volume de resultados mostrando a falta de resposta a micronutrientes em diversas situações, o uso de zinco, manganês, boro, e por vezes outros micronutrientes, ainda é generalizado. A análise de solo para fins de fertilidade nem sempre é feita todos os anos, e raramente se encontra um resultado na profundidade de 20 a 40 cm, o que ajudaria no diagnóstico de, por exemplo, falta de enxofre. Mais, a quantidade de fertilizantes utilizada nem sempre leva em conta o resultado da análise de terra.

Assim, embora não existam mais dúvidas quanto à necessidade, utilidade e benefícios da adoção de sistemas de produção agrícola com rotação de culturas, se possível em semeadura direta e integração com pecuária e/ou florestas, sua adoção mais generalizada ainda depende muito da pesquisa e do ensino nesta área.

* Graduado em Agronomia em 1973, mestre em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) em 1978 e doutor em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) em 1979, sempre pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo.

É professor titular da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, membro do International Plant Nutrition Council e membro do Conselho Científico de Agricultura Sustentável.

Foi coordenador da área de agrárias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo de 1995 a 2007. 

Foi Diretor do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da UNESP. 


Foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo.

Foi coordenador da área de agrárias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo de 1995 a 2007.

Foi Cientista Visitante da Universidade da California, Davis, em 1984/85.

Tem experiência na área de Agricultura, com ênfase em fertilidade do solo, adubação, fisiologia aplicada, crescimento radicular, sistemas de produção agrícola, rotação de culturas e ciclagem de nutrientes, atuando principalmente nas culturas do algodão, soja, plantas de cobertura e integração lavoura-pecuária.
 

(mla)
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