MARÇO 2019

Colheita da soja avança para o final e milho segunda safra consolida plantio. Chuvas e calor recuperam desempenho de cultivos perenes.

 
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:: ARTIGO Nº12: PLANTIO DIRETO NA PALHA E SEUS FUNDAMENTOS
Fernando Ribeiro Sichieri - fernandosichieri@bol.com.br
Plantio Direto na Palha e seus Fundamentos

Fernando Ribeiro Sichieri*

Já se passaram mais de 40 anos do início da prática do Plantio Direto no Brasil e temos muito que agradecer aos pioneiros Bartz, Nonô Pereira, Frank Dijkstra e muitos outros pela visão do futuro.
As próximasgerações têm a missão de melhorar o que eles começaram e não podemos nos esquecer disto, lembrando que nos primórdios da década de 70, eles não contavam com um grande aliado chamado glifosato, que veio possibilitar o manejo da palhada para adesão ao plantio direto na palha.

Esta tecnologia de que estamos falando vem revolucionando nossa produção agrícola há quatro décadas e eu gostaria neste artigo de poder apresentar seus fundamentos, que são os pilares da crescente prática desta tecnologia, de forma sustentável ao longo dos anos, nos diferentes sistemas produtivos que temos neste país de dimensões continentais.

Fundamentos do P.D (Marcio Scaléa, Plantio Direto):

1- Eliminação ou mínima operação de preparo de solo

2- Uso adequado de herbicidas

3-Obtenção de Cobertura Morta

4-Uso de plantadeiras específicas para o P.D

5- Praticar a Rotação de Culturas

Recentemente foi realizado um levantamento muito interessante pela Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP), mostrando que no Brasil a área dedicada a produções anuais cultivadas sob o Plantio Direto corresponde a mais de 50%, abrangendo cerca de 25,5 milhões de hectares. "Contudo, destes 25,5 milhões de hectares, menos de 10,4 milhões correspondem à premissa preconizada pelo Sistema de Plantio Direto, que é a diversificação de culturas, com pelo menos, dois cultivos por ano."

É observado que a produção está centrada em soja e milho o que diminui a diversificação de espécies cultivadas. E a não utilização do Sistema Plantio Direto conforme seus fundamentos está comprometendo esta técnica como ferramenta da Agricultura Conservacionista com potencial para suportar a sustentabilidade a campo.

Os maiores benefícios resultantes da implementação do Plantio Direto no Brasil estão diretamente relacionados à redução da intensidade da erosão hídrica, à redução dos custos de produção e à otimização do tempo, potencializando a área para um maior aproveitamento de culturas durante o ano.

Assim, não nos deixam dúvidas de que, na maioria das práticas realizadas pelos produtores brasileiros, há falhas no processo de adoção desde complexo tecnológico, o que não permite a obtenção do sucesso preconizado como resultante da não implementação de uma agricultura com preparo prévio de solo.

Em artigo recente, José Eloir Denardin, pesquisador da Embrapa, salienta que, hoje em dia, após cerca de 80 safras agrícolas da adoção do Plantio Direto no Brasil, observa-se, como problema frequente, comprometedor da estabilidade da produção agrícola, a degradação do solo com aumento da densidade e da resistência à penetração na camada de 5 a 20 cm de profundidade; a estratificação da fertilidade do solo na camada de 0 a 20 cm de profundidade; a deformação morfológica de raízes, a concentração de raízes na camada superficial do solo e redução da taxa de infiltração de água no solo, dentre outros agravos.

Voltando aos fundamentos básicos notamos que, em sua maioria, os nossos produtores têm acesso a maquinários de qualidade para realização do P.D, como também a herbicidas eficientes a um baixo custo, para realização do manejo, como também é perceptível ao longo dos anos uma forte diminuição de preparo de solos nestas áreas.

Com isso, podemos concluir que os grandes desafios estão na produção de cobertura morta de qualidade, com bom volume e alta relação C/N desta palhada, proporcionando uma maior proteção à cultura posterior e, consequentemente, com maiores benefícios. Isto alinhado a uma eficiente rotação de culturas que tenha um equilíbrio saudável, econômica e agronomicamente.

Os vários estudos e trabalhos mostram a Integração Lavoura Pecuária-ILP como um sistema que vem a contribuir de maneira grandiosa, tanto em áreas de pastagem degradas como em áreas de monocultura, conjugada a sucessão de grãos, principalmente Soja e Milho Safrinha, ano após ano.

Todos os envolvidos no sistema de produção sabem que de nada adianta o uso de tecnologia se a atividade não esteja sendo lucrativa, ou seja, tem que sobrar dinheiro no bolso do produtor.

Tem-se uma grande expectativa de que com os trabalhos que estão sendo feitos e difundidos por instituições como Embrapa, Universidades e Fundações, como a Agrisus, possam ser aplicáveis de maneira natural através de um conhecimento mais profundo do P.D por parte de nossos técnicos e produtores, uma vez que as o setor agrícola vem avançando de maneira brutal nos últimos anos com a biotecnologia, agricultura de precisão, etc.

De nada adiantarão todas essas ferramentas se não tivermos um solo bem cuidado e manejado com uma rotação de culturas executada por pessoas que entendam que Plantio Direto não é somente colher hoje, dessecar e plantar amanhã, sem preparar o solo (convencional), mantendo a terra cultivada por vários anos seguidos com a mesma sucessão de culturas. Tudo está mudando muito rápido na agricultura moderna e o que deu certo no passado pode não ser exemplo de sucesso para o futuro.

Para ver foto da pesquisa realizada no Paraná clique aqui

*Eng. Agr, Univ. Estadual de Maringá-UEM 2005, responsável pelo Projeto Arenito do Vale (ILP, Sto. Inácio/PR-NO, apoiado pela Fundação Agrisus desde 2003)


(mla)
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