JANEIRO 2019

Soja e outras plantas de verão em pleno crescimento.
Citros, café e cana de açúcar enfrentando limitações do clima.

 
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:: ARTIGO Nº13: PRODUÇÃO DE SOJA EM SOLOS ARENOSOS DO OESTE PAULISTA
Edemar Moro - edemar@unoeste.br
PRODUÇÃO DE SOJA EM SOLOS ARENOSOS DO OESTE PAULISTA

Edemar Moro*

Quando terminei o doutorado em agronomia na UNESP de Botucatu assumi as disciplinas de culturas anuais no curso de agronomia da Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE. Fiquei muito animado com a oportunidade de atuar na área de ensino, pesquisa e extensão. No entanto, algo me deixou inquieto, fui informado que as culturas anuais (especialmente soja e milho) não se adaptavam à região. Por um momento pensei que a soja realmente não se adaptaria. Afinal como bactérias fixadoras de nitrogênio suportariam temperaturas que chegam a 40ºC em solos arenosos?

Porém deveria haver uma solução para se produzir grãos nestas condições, afinal a soja foi tropicalizada. A solução seria a utilização do Sistema Plantio Direto (SPD), com o objetivo de produzir palha para evitar o aquecimento excessivo do solo, elevar o teor de matéria orgânica e aumentar a capacidade de retenção de água no solo. Essas vantagens do SPD são mais do que conhecidas e inerentes ao conceito do sistema. Porém, para o sucesso do cultivo de grãos no oeste paulista, o SPD precisaria de ajustes. Este ajuste do sistema existe e denomina-se INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA (ILP). A ILP se encaixou perfeitamente no SPD, e ainda permite ajustar o conceito triplo que da base e sustentação ao sistema.

No conceito tradicional, o tripé básico do SPD é: a) não revolvimento do solo; b) rotação de culturas e c) cobertura permanente do solo. A este conceito, a ILP adiciona um ingrediente importantíssimo ao sucesso de sistemas de produção em regiões tropicais, especialmente para solos arenosos sujeitos a perdas de nutrientes por lixiviação. Este ingrediente seria a manutenção de uma espécie fotossinteticamente ativa e o consórcio de espécies durante o máximo período possível (no ano). Nota-se que a conotação ano perdeu a importância, visto que o sistema passa a ser planejado em longo prazo.

Paralelo a isso se destaca a importância de adubar o sistema de produção e não mais uma única cultura. A eficiência do SPD está mais do que comprovada, mas é passível de ampliação do conceito e de ajustes/melhorias. Desta forma, a base do SPD seria formada por um conceito mais amplo e mais eficiente e teria seu tripé sustentado pelos seguintes fatores: a) não revolvimento do solo; b) rotação de culturas com consorciação de espécies e c) manutenção do solo vegetado. É evidente que essa vegetação deixará resíduos para que haja cobertura permanente do solo e originará um ciclo continuo de ciclagem e liberação de nutrientes ao sistema.

Não vejo outra forma para abranger este novo conceito sem incluir a ILP nas áreas com plantio direto. E se tem uma cultura que beneficia este sistema e ao mesmo tempo é beneficiada, é a soja. Gera benefícios pela grande quantidade de nitrogênio que fixa e deixa para a pastagem; é beneficiada pela palhada que ajudou a formar com o nitrogênio fixado. A produção de palhada em quantidade e qualidade é primordial para o bom estabelecimento das bactérias fixadoras de nitrogênio, pois evita o aquecimento excessivo do solo.

Mediante tantas vantagens que o sistema agrega, torna-se fácil entender por que a produção de soja em áreas com plantio direto que não manejam o solo com ILP é 50% menor. Essa queda de produção notadamente, ocorre em anos com baixos índices pluviométricos, como foi o caso da safra 2011/2012.

É importante relatar que a ILP se desenvolveu com foco na recuperação de áreas degradadas. Porém, o sistema evoluiu e atualmente é indicado não só para recuperação de áreas degradadas, mas também para melhorar a eficiência de sistemas de produção com bons níveis de tecnologia e será fundamental para o sucesso do SPD, especialmente para solos arenosos com histórico frequentes de veranicos.

O ciclo de pastagens e culturas graníferas é variável e cada região do Brasil adota diferentes períodos de substituição de pastagens por culturas. Na região de Presidente Prudente (SP), o modelo que tem gerado bons resultados é a sequência de dois anos com soja, alternados com dois anos de pastagem, sendo que após o primeiro ano de soja opta-se pela semeadura do milheto e/ou braquiária na safrinha com duplo objetivo: pastejo no período seco e fonte de cobertura para o segundo cultivo de soja. Após o segundo ano de soja implanta-se a pastagem, a qual permanecerá na área nos próximos dois anos.

Um dos desafios da ILP no SPD é definir técnicas de implantação e condução desses sistemas integrados, os quais são mais complexos e exigem maior conhecimento técnico. Existem diversas formas de implantação de pastagens. Quando ocorre em substituição a soja pode ocorrer por diversas formas: a) simultaneamente por ocasião da semeadura da soja; b) por sobressemeadura; c) a lanço após a colheita da soja com incorporação; d) com semeadora após a colheita da soja; e) com banco natural de sementes. Dentre as diferentes formas de implantação de pastagens destaca-se aquela formada com banco natural de sementes no solo. A importância desta técnica está associada ao estabelecimento precoce da pastagem. Além de não haver custos com aquisição de sementes e com a operação de semeadura.

Considerando a carência de informações e ausência deste tema na grade curricular dos cursos de graduação a Faculdade de Ciências Agrárias da UNOESTE está desenvolvendo projetos para mudar este cenário. Dentre as iniciativas destacam-se:

a) Curso de pós-graduação (Lato Sensu) em Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. As inscrições já estão abertas e podem ser realizada no site da UNOESTE (www.unoeste.br);

b) Disciplina específica sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta nos programas de Mestrado e Doutorado em Agronomia da Universidade do Oeste Paulista;

c) Parceria com a Fazenda Ybyete Porã de Rancharia que é modelo em ILP no oeste paulista. A parceria englobara pesquisas e difusão da ILP;

d) Fórum e Dia de Campo sobre ILP durante o Simpósio de Ciências Agrárias de Presidente Prudente (SIMCAPP). O SIMCAPP será realizado entre os dias 15 a 19 de outubro e dará um enfoque especial a ILP.

e) Expedição Goiás – Viagem técnica viabilizada com recursos da AGRISUS, cujo foco principal foi visitar fazendas em Goiás referência para o Brasil em ILP. Alunos e professores da Faculdade de Ciências Agrárias da UNOESTE foram beneficiados.


*Edemar Moro
Prof. Dr. Curso de Agronomia
Universidade do Oeste Paulista-UNOESTE
Rodovia Raposo Tavares, Km 572 - Campus II, Bloco B3
19067-175 Presidente Prudente-SP
Telef: (18) 3229-2077 e (18) 8815-1270

(mla)
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