JUNHO 19

Mês frio das tradicionais festas juninas, este ano deve ter calor acima da media em grande parte do país. Produtividades de plantas de inverno afetadas de forma imprevisível.

 
 ENTREGA PRÊMIO
 Busca
 
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo
(mla)
:: ARTIGO Nº13: PRODUÇÃO DE SOJA EM SOLOS ARENOSOS DO OESTE PAULISTA
Edemar Moro - edemar@unoeste.br
PRODUÇÃO DE SOJA EM SOLOS ARENOSOS DO OESTE PAULISTA

Edemar Moro*

Quando terminei o doutorado em agronomia na UNESP de Botucatu assumi as disciplinas de culturas anuais no curso de agronomia da Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE. Fiquei muito animado com a oportunidade de atuar na área de ensino, pesquisa e extensão. No entanto, algo me deixou inquieto, fui informado que as culturas anuais (especialmente soja e milho) não se adaptavam à região. Por um momento pensei que a soja realmente não se adaptaria. Afinal como bactérias fixadoras de nitrogênio suportariam temperaturas que chegam a 40ºC em solos arenosos?

Porém deveria haver uma solução para se produzir grãos nestas condições, afinal a soja foi tropicalizada. A solução seria a utilização do Sistema Plantio Direto (SPD), com o objetivo de produzir palha para evitar o aquecimento excessivo do solo, elevar o teor de matéria orgânica e aumentar a capacidade de retenção de água no solo. Essas vantagens do SPD são mais do que conhecidas e inerentes ao conceito do sistema. Porém, para o sucesso do cultivo de grãos no oeste paulista, o SPD precisaria de ajustes. Este ajuste do sistema existe e denomina-se INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA (ILP). A ILP se encaixou perfeitamente no SPD, e ainda permite ajustar o conceito triplo que da base e sustentação ao sistema.

No conceito tradicional, o tripé básico do SPD é: a) não revolvimento do solo; b) rotação de culturas e c) cobertura permanente do solo. A este conceito, a ILP adiciona um ingrediente importantíssimo ao sucesso de sistemas de produção em regiões tropicais, especialmente para solos arenosos sujeitos a perdas de nutrientes por lixiviação. Este ingrediente seria a manutenção de uma espécie fotossinteticamente ativa e o consórcio de espécies durante o máximo período possível (no ano). Nota-se que a conotação ano perdeu a importância, visto que o sistema passa a ser planejado em longo prazo.

Paralelo a isso se destaca a importância de adubar o sistema de produção e não mais uma única cultura. A eficiência do SPD está mais do que comprovada, mas é passível de ampliação do conceito e de ajustes/melhorias. Desta forma, a base do SPD seria formada por um conceito mais amplo e mais eficiente e teria seu tripé sustentado pelos seguintes fatores: a) não revolvimento do solo; b) rotação de culturas com consorciação de espécies e c) manutenção do solo vegetado. É evidente que essa vegetação deixará resíduos para que haja cobertura permanente do solo e originará um ciclo continuo de ciclagem e liberação de nutrientes ao sistema.

Não vejo outra forma para abranger este novo conceito sem incluir a ILP nas áreas com plantio direto. E se tem uma cultura que beneficia este sistema e ao mesmo tempo é beneficiada, é a soja. Gera benefícios pela grande quantidade de nitrogênio que fixa e deixa para a pastagem; é beneficiada pela palhada que ajudou a formar com o nitrogênio fixado. A produção de palhada em quantidade e qualidade é primordial para o bom estabelecimento das bactérias fixadoras de nitrogênio, pois evita o aquecimento excessivo do solo.

Mediante tantas vantagens que o sistema agrega, torna-se fácil entender por que a produção de soja em áreas com plantio direto que não manejam o solo com ILP é 50% menor. Essa queda de produção notadamente, ocorre em anos com baixos índices pluviométricos, como foi o caso da safra 2011/2012.

É importante relatar que a ILP se desenvolveu com foco na recuperação de áreas degradadas. Porém, o sistema evoluiu e atualmente é indicado não só para recuperação de áreas degradadas, mas também para melhorar a eficiência de sistemas de produção com bons níveis de tecnologia e será fundamental para o sucesso do SPD, especialmente para solos arenosos com histórico frequentes de veranicos.

O ciclo de pastagens e culturas graníferas é variável e cada região do Brasil adota diferentes períodos de substituição de pastagens por culturas. Na região de Presidente Prudente (SP), o modelo que tem gerado bons resultados é a sequência de dois anos com soja, alternados com dois anos de pastagem, sendo que após o primeiro ano de soja opta-se pela semeadura do milheto e/ou braquiária na safrinha com duplo objetivo: pastejo no período seco e fonte de cobertura para o segundo cultivo de soja. Após o segundo ano de soja implanta-se a pastagem, a qual permanecerá na área nos próximos dois anos.

Um dos desafios da ILP no SPD é definir técnicas de implantação e condução desses sistemas integrados, os quais são mais complexos e exigem maior conhecimento técnico. Existem diversas formas de implantação de pastagens. Quando ocorre em substituição a soja pode ocorrer por diversas formas: a) simultaneamente por ocasião da semeadura da soja; b) por sobressemeadura; c) a lanço após a colheita da soja com incorporação; d) com semeadora após a colheita da soja; e) com banco natural de sementes. Dentre as diferentes formas de implantação de pastagens destaca-se aquela formada com banco natural de sementes no solo. A importância desta técnica está associada ao estabelecimento precoce da pastagem. Além de não haver custos com aquisição de sementes e com a operação de semeadura.

Considerando a carência de informações e ausência deste tema na grade curricular dos cursos de graduação a Faculdade de Ciências Agrárias da UNOESTE está desenvolvendo projetos para mudar este cenário. Dentre as iniciativas destacam-se:

a) Curso de pós-graduação (Lato Sensu) em Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. As inscrições já estão abertas e podem ser realizada no site da UNOESTE (www.unoeste.br);

b) Disciplina específica sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta nos programas de Mestrado e Doutorado em Agronomia da Universidade do Oeste Paulista;

c) Parceria com a Fazenda Ybyete Porã de Rancharia que é modelo em ILP no oeste paulista. A parceria englobara pesquisas e difusão da ILP;

d) Fórum e Dia de Campo sobre ILP durante o Simpósio de Ciências Agrárias de Presidente Prudente (SIMCAPP). O SIMCAPP será realizado entre os dias 15 a 19 de outubro e dará um enfoque especial a ILP.

e) Expedição Goiás – Viagem técnica viabilizada com recursos da AGRISUS, cujo foco principal foi visitar fazendas em Goiás referência para o Brasil em ILP. Alunos e professores da Faculdade de Ciências Agrárias da UNOESTE foram beneficiados.


*Edemar Moro
Prof. Dr. Curso de Agronomia
Universidade do Oeste Paulista-UNOESTE
Rodovia Raposo Tavares, Km 572 - Campus II, Bloco B3
19067-175 Presidente Prudente-SP
Telef: (18) 3229-2077 e (18) 8815-1270

(mla)
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo

Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
Contato: agrisus@agrisus.org.br e agrisus@fealq.org.br