MARÇO 2019

Colheita da soja avança para o final e milho segunda safra consolida plantio. Chuvas e calor recuperam desempenho de cultivos perenes.

 
 CARTILHA SPD
 Busca
 
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo
(mla)
:: AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS PRODUTIVOS DE GRÃOS E CARNE NO ESTADO DO TOCANTINS
Emerson Borghi - emerson.borghi@embrapa.br
Para o secretário executivo da Agrisus, Ondino Cleante Bataglia, o estado do Tocantins ainda tem muita possibilidade de melhoria e crescimento de sua agricultura, de acordo com os resultados da pesquisa. "Os sistemas de cultivo e, principalmente, o manejo correto dos solos é essencial", afirma. "O levantamento mostra a necessidade de pesquisa regional visando, principalmente, integrar a lavoura com a pecuária. A Agrisus pode participar disso", completa o secretário.

Avaliação dos sistemas produtivos de grãos e carne no Estado do Tocantins

O estado do Tocantins é considerado atualmente uma das últimas fronteriras agrícolas do Brasil, juntamente com os estados do Piauí, Maranhão e oeste da Bahia. Os números divulgados pelos órgãos estaduais do Estado do Tocantins relatam que o total de área agricultável é de 27.842.070 hectares de terras, sendo 49,74% destinadas às atividades agropecuárias. Deste total, 7.498.250 hectares (26,93%) são áreas de pastagens, sendo apenas 714.192 hectares (8,40%) explorados pela agricultura. O potencial de crescimento na produção é enorme, principalmente em áreas em pousio (239.304 hectares), juntamente com áreas sob algum grau de degradação. Grande parte das áreas destinadas para a exploração de pastagens e para a produção de grãos no Estado caracteriza-se pela baixa fertilidade de seus solos, sendo geralmente áreas de cerrado, campos nativos, bastante esgotados pela intensa exploração extensiva, cuja capacidade de suporte não supera 0,5 unidade animal por hectare, aliado à baixa produção de forragem das espécies destinadas ao pastejo.

Mesmo com grande salto na produtividade das culturas da soja e do milho safrinha nas duas últimas safras, o Estado ainda enfrenta grandes desafios no manejo e conservação do solo e da implantação de sistemas integrados de produção. Embora bastante difundidos em outros Estados do Bioma Cerrado, sistemas de integração lavoura-pecuária ou de plantio direto ainda apresentam grandes dificuldades na implantação e na condução ao longo dos anos nesta região.

A partir deste cenário, o projeto objetivou fazer um levantamento, por meio de visitas e entrevistas com produtores, para avaliação de sistemas produtivos de grãos e pastagens nos diferentes ambientes no Estado do Tocantins, para identificar necessidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Conduzido pela equipe de pesquisadores da Embrapa, em Palmas/TO, foram definidos 3 percorrendo 8.000 km, visitando 30 propriedades em diferentes regiões do Estado, além da realização de 4 reuniões com produtores, entre os meses de janeiro a julho de 2012, identificando os sistemas produtivos de soja, milho safrinha e pastagem, e as limitações para a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

O sistema de produção mais adotado no Tocantins é a sucessão soja/milheto, sendo prática recorrente em 39% dos produtores entrevistados. Cerca de 74% dos entrevistados realizam análise de solo uma vez ao ano, 56% dos produtores realizam amostragem somente na profundidade de 0 a 20 cm, e em 30% das propriedades os produtores afirmaram que optam pela análise de solo estratificada (0-20 e 20-40 cm de profundidade), mas menos de 10% das respostas informaram que a análise de solo é uma ferramenta na escolha do fertilizante. Além disso, 50% das respostas informaram que nunca realizaram análises físicas do solo para identificar presença de compactação em profundidade. Apenas 12% das respostas mencionaram que utilizam gesso como prática de correção dos solos em subsuperfície. Além disso, 19% dos produtores afirmaram que nunca utilizaram gesso desde o início do preparo das áreas para cultivo.

Pelos resultados obtidos nos questionários, a equipe de pesquisadores envolvidos no projeto encontraram pontos de fragilidade na produção de grãos. Embora 100% dos entrevistados mencionem o uso do plantio direto, ficou evidente que o sistema predominante é o cultivo mínimo, com uso frequente de arações antecedendo a cultura de verão, preferencialmente soja. O uso de adubações na proporção 1:1 de P2O5 e K20, escolha de cultivares e híbridos impróprios para a condição de cultivo, além do preparo constante do solo, incorporação de corretivos poucos dias antes da semeadura, manejo do solo incorreto, interpretação errônea dos resultados da análise de solo e dessecação pré-plantio de soja são alguns dos problemas encontrados. Para as pastagens, o uso de espécies de alta exigência em fertilidade, mas implantadas em solos quimicamente pobres e sem adubação de manutenção, além de um descontrole na lotação animal ao longo do ano proporcionam uma degradação iminente e, mesmo nos casos onde havia suplementação na seca, a taxa de lotação animal ainda é baixa.

Embora com resultados significativos em outras regiões do Bioma Cerrado e mesmo em algumas situações pontuais, há necessidade urgente de pesquisas e de transferência de tecnologia para proporcionar o uso correto e massivo de sistemas conservacionistas do solo, em especial a implantação de áreas de referência tecnológica para comprovação da viabilidade técnica e econômica na utilização de rotação de culturas para implementação do sistema plantio direto seguindo suas premissas básicas, e de consorciações entre culturas gramíneas e forrageiras tropicais, para que possam ser demonstradas as potencialidades no uso destas técnicas no âmbito de sistemas integrados de produção.

Mais detalhes dos principais resultados levantados apontados pela equipe envolvida no projeto podem ser obtidas no relatório final, disponibilizado na íntegra no site da Fundação Agrisus.

Coordenador: Emerson Borghi

Instituição: Embrapa Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas (CNPASA)

Quadra 103 Sul - I, Av. JK, 164

CEP: 77015-012 – Palmas – TO

Telefone: (63) 3218-2933 / 3218-2953

Para ler a íntegra do relatório final apresentado sobre o projeto em nossa seção "Relatórios" clique aqui.

(mla)
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo

Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
Contato: agrisus@agrisus.org.br e agrisus@fealq.org.br