JANEIRO 2019

Soja e outras plantas de verão em pleno crescimento.
Citros, café e cana de açúcar enfrentando limitações do clima.

 
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:: A Amazônia é nossa
Fernando Penteado Cardoso
A AMAZÔNIA É NOSSA


Como o lobby ambientalista internacional distorce o tema "Amazônia"

O assunto Amazônia vem despertando empolgação desmedida entre brasileiros e estrangeiros e, por isso mesmo, tornou-se o prato favorito tanto na mídia nacional como anglo-saxônica. Merece comentários isentos de emoção e esclarecimentos fundamentados na ciência, em contraposição às propostas utópicas do “lobistas ecológicos” .


É fato conhecido que a floresta em equilibro não produz oxigênio em quantidade maior do que aquela consumida pela decomposição dos detritos. Somente as plantas em crescimento, cuja celulose e lenho retêm carbono absorvido da atmosfera através da fotossíntese, liberam mais oxigênio do que o consumido pele ecossistema.


Igual efeito é de se esperar das algas marínhas clorofiladas, povoando oceanos com superfície bem maior que a mata amazônica, efeito esse que se soma ao remanescente de todas as demais florestas pelo mundo afora. Porque, então, atribuir à floresta amazônica em equilíbrio tanta influência sobre o oxigênio atmosférico? O propalado “pulmão do mundo” não passa de uma figura de retórica.


Cabe aos cientistas dimensionar a influência das plantas e das algas marínha sobre a atmosfera, comparando o efeito das florestas tropicais em equilíbrio com a atividade das plantas em processo intenso de vegetação, seja em pastos, culturas ou reflorestamento. Tal estudo deve se situar no contexto tanto do volume total do oxigênio existente na atmosfera em contínua circulação, como da dissolução do gás carbônico pelas águas oceânicas.


Cumpre ainda investigar sobre o gás metano que os “ecológicos” vêm citando ultimamente como complemento do gás carbônico, assunto já um tanto desgastado. Trata-se do chamado gás dos pântanos, resultante da fermentação anaeróbica, seja, na ausência de oxigênio. O interessante é que essa fermentação é correlacionada às inundações por novas represas e não, como seria óbvio, aos extensos alagamentos nas enchentes anuais, cobrindo, agora sim, área maior que a Holanda.


É certo que as matas, com sua manta vegetal, têm um efeito esponja sobre a água, influindo no ritmo da evaporação da umidade remanescente ao fim da estação chuvosa. Essa evaporação, que se prolonga durante a estiagem, pode influir sobre a atmosfera regional e sobre as precipitações locais, mas está para ser provado que tenha repercussão sobre o clima mundial resultante da circulação das grandes correntes atmosféricas e estratosféricas, além das marítimas (El Niño), cujas regras permanecem misteriosas, em que pesem as simulações dos “lobistas de computador”, que, utilizam essas máquinas como se fossem pitonisas, substituindo as formas femininas pelos desenhos binários.


... Se a evaporação é tão importante após o término das precipitações, porque não admitir, então, a melhoria das condições ambientais mantendo permanentemente inundadas as áreas só alagadas durante as chuvas? Estamos nos referindo aos projetos hidroelétricos com seus extensos represamentos.


Quanto às queimadas, de resíduos vegetais, de campos, de cerrados, de pastos semeados e, em menor escala, de mata recém - derrubada, o que elas significam como produtoras de CO2 durante alguns poucos dias do mês de agosto é irrisório quando comparado à contínua queima universal de combustíveis sólidos e líquidos durante 24 horas por dia e 365 dias por ano.


Segundo alguns especialistas, o teor de CO2 atmosférico tem variado ao longo dos tempos, desde as eras paleontológicas, enquanto outros consideram o efeito estufa uma conclusão especulativa, bem como fantasioso o derretimento das calotas polares em conseqüência das queimadas no Brasil.


É lastimável que o sensacionalismo da mídia nacional e internacional sobre esses assuntos tenha sido alimentado por informações mal fundamentadas de fontes oficiais brasileiras, dando origem a preocupações do Presidente da República, - desconsiderando que a maior parte dos focos de calor detectados pelos satélites indicam locais de trabalho rural. O noticiário doméstico deu origem a um deplorável programa na NBC televisionado de costa a costa nos Estados Unidos na noite de 19 de outubro de 88, em prejuízo da imagem de nosso País.


Com relação ao desmatamento de áreas para aproveitamento da terra em beneficio do homem – erroneamente classificado de “devastação” foi recentemen­te reconhecido pelo lnst de Pesquisas Espaciais - INPE como estando mal avaliado, esclarecendo a notícia que aquele órgão está desenvolvendo estudo, por ordem do Governo brasileiro, paro apurar a área efetivamente desbastada, pois “os dados realmente não são confiáveis” (OESP 28.2.89).


Cumpre ao INPE aplicar o dinheiro do contribuinte em estudos sérios - mais apurados que o último, datado de janeiro de 80, - evitando alimentar o sensacionalismo com entrevistas precipitadas, confundindo fumaça com névoa seca, extrapolando áreas em função de focos de calor e atribuindo variadas queimas a novas derrubadas, o que veio a ensejar a ridícula conclusão que desmata-se anualmente no Brasil uma área equivalente ao território da Holanda.


Merece ainda exame o aspecto jurídico dos direitos adquiridos pelos atuais proprietários ou ocupantes, cujos títulos de posse e domínio se formaliza­ram em época em que o Inst. Brasileiro de Desenv. Florestal - IBDF autori­zava o desmatamento de 50% da floresta existente. Somente um ato de desapropriação poderia alterar esse direito, para manter a floresta em seu es­tado nativo.

Caso as vozes dos “lobistas ambientais” e a pressão inter­nacional se transformem em disposições legais para manter a Amazônia intacta “ad eternum” isso significaria reduzir à metade o potencial econômico do território brasileiro.


Nossas autoridades vêm adotando, de maneira geral, uma atitude escapista ao explicar, por exemplo, que não pode ter havido ínfluências ambientais desfavoráveis visto termos desmatado menos que 3% da área de floresta tropical da Amazônia. Tal escapismo admite, portanto, que haveria influências des­favoráveis com o desmatamento, que, por conseguinte, não deveria ser feito.


0 presidente da SUDAM, ao minimizar as áreas desmatadas, informou haver aprovado somente projetos em áreas de vegetação intermediária, cerrados ou campos, negando qualquer incentivo à derrubada de mata grossa. Mostrou-se também preconceituoso com relação às pastagens, omitindo essa significativa utilização ao exemplificar a substituição da mata por dendê, cacau, urucum, além de recomposições florestais um tanto desiderativas.


Depois que os paises de agricultura altamente desenvolvida aproveitaram suas terras agricultáveis com extensos desmatamentos quando necessários, sem que tenha havido mudanças climáticas deletérias ao homem, não faz sentido estabelecer limitações ao desenvolvimento racional do Brasil, sob premissas incomprovadas e especulativas.


Além de ser uma interveniência descabida sobre assuntos internos do País, tal cerceamento viria em pre­juízo da Humanidade como um todo, ao vetar o aproveitamento agropecuário da maior região do mundo com clima favorável de chuvas de verão, por isso mesmo com alta capacidade de produção de alimentos, fibras, madeiras, etc, além dos recursos minerais conhecidos e por conhecer.


Esse aproveitamento vem, dia-a-dia, demonstrando ser indispensável para o desenvolvimento do País, condição imprescindível para o bem estar de nossa população crescente. Com justeza foi a agricultura definida como sendo “a arte de explorar a energia solar em benefício do homem”. A Amazônia é uma área inigualável para captar essa energia. Vamos desperdiçá-la?


Cumpre à geração atual manter os pés no chão, promover estudos científicos, evitar a disseminação de conceitos enganosos, a fim de que se possa continuar a expansão da nossa área agrícola e pecuária, baseada historicamente em terras ricas de mata grossa, estendendo-se em seguida aos solos fracos de cerrado, para continuar no futuro nas áreas disponíveis, tanto férteis como originalmente pobres, suprindo o mundo com produtos agrícolas insubstituíveis.


Desde milênios o homem vem aproveitando os recursos naturais do solo e cli­ma em seu benefício, dentro da realística definição do Prof. E. Malavolta, da Escola Sup. de Agric. “Luiz de Queiroz” - Univ. de São Paulo: “Agricultura é a arte de perturbar os ecossistemas, em termos econômicos, com o mínimo de danos irreversíveis”.


Cumpre à sociedade admitir a realidade e definir prioridades, propiciando, por exemplo, através de incentivos e difusão da tecnologia adequados, que cerrados, campos e varjões sejam recu­perados com preferência sobre as aberturas em terras agricultáveis atualmente recobertas por matas.


Estas, quando oportuno, serão igualmente apro­veitadas, sem prejuízo dos parques e reservas florestais localizados nas montanhas, alagados e solos impróprios à agropecuária, bem como em áreas já habitadas. Não podemos admitir que venha se cumprir à risca o vaticínio de nosso Hino Nacional, combinado com a descrição de Pero Vaz Caminha: “uma terra dadivosa e boa,...deitada eternamente em berço esplêndido”.

(fc)
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Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
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