MARÇO 2019

Colheita da soja avança para o final e milho segunda safra consolida plantio. Chuvas e calor recuperam desempenho de cultivos perenes.

 
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:: 70 ANOS DA CONSERVAÇÃO DO SOLO NO INSTITUTO AGRONÔMICO
S.C.F. Dechen; I.C. De Maria - icdmaria@iac.sp.gov.br; dechen@iac.sp.gov.br
70 anos da Conservação do Solo no Instituto Agronômico

S.C.F. Dechen; I.C. De Maria

Centro de Solos e Recursos Ambientais, Instituto Agronômico, Campinas, SP

As pesquisas sobre conservação do solo no Estado de São Paulo, em forma definida e sistematizada, começaram com o funcionamento da Seção de Conservação do Solo do IAC.  Criada pelo decreto-lei n.º 12.503, de 10 de janeiro de 1942, iniciou seus trabalhos em fins de março de 1943, subordinada à Divisão de Solos do Instituto Agronômico, sob a chefia do Dr. Quintiliano de Avellar Marques.  Com a reforma institucional de 1998, passou a fazer parte do Centro de Solos e Recursos Ambientais.

Desde o início de seu funcionamento, a Conservação do Solo publicou quase cinco centenas de artigos científicos e técnicos.  O livro “Conservação do Solo”, de autoria de seus pesquisadores, é excelente fonte de consulta sobre conservação do solo no Brasil, com conceitos básicos e relatos dos principais resultados obtidos.

Nesses setenta anos, a erosão em sistemas de manejo com culturas anuais e permanentes foi, e continua sendo, estudada.  A continuidade das pesquisas tem sido importante para responder aos desafios para a conservação do solo gerados a partir dos avanços tecnológicos na condução dos sistemas de produção agropecuários e florestais.

O resultado das pesquisas avaliando resultados de perdas de terra e água em três regiões do Estado de São Paulo, onde o Instituto Agronômico possui talhões coletores de erosão, representando Argissolos e Latossolos, permitiram identificar culturas e sistemas de manejo apropriados para reduzir a erosão, relações entre perdas de terra e água e a produtividade das culturas, avaliação do risco de degradação do solo com a finalidade de planejamento ambiental e agrícola, apresentação de informações básicas para o planejamento e dimensionamento de práticas conservacionistas.

Os resultados obtidos para a direção de preparo e direção de plantio mostram que o plantio em contorno é muito mais importante no controle da erosão, que o preparo em contorno, com redução de 50% nas perdas de terra.  O motivo é que, provavelmente, a barreira formada pela cultura com plantio em contorno, ou seja, com as linhas de plantas cortando a direção do escoamento superficial, e mesmo o próprio sulco de plantio, funcionam como controladores das perdas de terra por erosão.  Um fator que contribui para as maiores perdas de solo no sistema de preparo convencional, é que a rugosidade do solo, após as operações de preparo, não é suficiente para conter o escoamento superficial. 

Já o preparo mínimo e o plantio direto reduzem significativamente a erosão.  O plantio direto reduz em 75% as perdas de terra por erosão.  Quanto aos cultivos, para o controle das plantas invasoras durante o ciclo da cultura, verificou-se que o manejo mecânico ou o manejo químico do mato, não têm efeito sobre o controle da erosão, porque a proteção oferecida pela cultura é mais eficiente.  Quanto aos equipamentos de preparo do solo, verificou-se que, quanto maior o grau de mobilização do solo, maiores as perdas por erosão.  E, em sistemas de preparo, mesmo naqueles com pouca mobilização do solo, se não for dada atenção à qualidade das operações, de modo a impedir a formação do pé-de-grade, as perdas por erosão vão se acentuar ao longo do tempo.  A introdução de sistemas de manejo com menor mobilização do solo e manutenção de resíduos de cultura na superfície, que vêm sendo praticadas atualmente, contribuíram para uma significativa redução das perdas por erosão.  A mudança de paradigma de não se deixar a cultura “no limpo” também é fator de controle das perdas por erosão. 

Uma observação importante é que, durante o ano, somente algumas poucas chuvas causam grandes perdas de terra e portanto é importante o solo estar protegido nesses momentos, não só com resíduos de cultura, mas também com outras práticas como os terraços.  Os dados obtidos permitiram a elaboração de uma orientação para o planejamento de sistemas de terraceamento, considerando não apenas o solo e o declive, com em modelos anteriores, mas também o uso e o manejo do solo.

Os experimentos sobre as relações entre a erosão do solo e sua produtividade conduziram a conclusões teóricas interessantes sobre a resiliência do solo; isto é, a probabilidade de que uma força coativa sobre o solo, tal como a erosão, terá um efeito mensurável.  A resiliência do latossolo vermelho em Campinas, SP, refletida na quantidade de erosão, é moderada para as condições tropicais.  A resiliência à erosão é moderada também em termos do impacto sobre o solo in situ, visto que somente as alterações no conteúdo de carbono orgânico e o pH puderam ser claramente atribuídas à erosão.  Entretanto, estas mudanças estão inter-relacionadas e a acidez do solo induzida é freqüentemente o maior limitante ao crescimento das culturas nesse tipo de solo.  Este último aspecto pode explicar a relativamente alta sensibilidade do latossolo vermelho ao impacto da erosão em termos de redução da produção.

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Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
Contato: agrisus@agrisus.org.br e agrisus@fealq.org.br