JANEIRO 2019

Soja e outras plantas de verão em pleno crescimento.
Citros, café e cana de açúcar enfrentando limitações do clima.

 
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:: O Cerrado pode desaparecer?
Fernando Penteado Cardoso - Eng. Agr. Sênior, produtor e presidente da "Fundação Agrisus - Agricultura Sustentável"
Recente reportagem catastrofista emprega aleatoriamente os termos “perigo”, “piorar”, “degradação”, “destruição”, “desmatamento”, “sobrevivência”, “malefício”, “invadido”, etc., ao se referir ao aproveitamento de aproximadamente 10 milhões de hectares de solos antes pobres e inaproveitados, originalmente recobertos de vegetação denominada de “cerrado”, que foram convertidos em terras férteis agricultáveis.


A notícia vem de Minas Gerais, justamente o estado em que o assunto foi estudado na década de 40. Em Sete Lagoas, Cardoso de Menezes e outros mostraram que essas terras reagiam bem à adubação. Em Viçosa, Alvim e Araújo comprovaram a extrema deficiência em cálcio desses solos. Nos anos 50, Feuer, da Universidade de Cornell (EUA), apresentou excelente relatório de levantamento dos solos do Brasil Central, decorrente de encomenda feita pela comissão da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), empresa que construiu Brasília.


Da comissão participava o engenheiro agrônomo Bernardo Sayão, amigo pessoal do Presidente Jusecelino Kubitscheck. Ainda nesse período, Collin e outros, do Instituto IRI (Fundação Rockfeller), em Matão (SP), demonstraram que, bem corrigidas e adubadas, essas terras fracas eram capazes de produzir o mesmo que os solos férteis de mata alta. Posteriormente, na década de 70, outro mineiro, Alyson Paulinelli, criou o Programa de Desenvolvimento do Cerrado (Prodecer), época em que era o Ministro da Agricultura.


Seguiu-se o período da abertura do cerrado com arroz, sucedido pelo miraculoso binômio nelore-braquiária. Depois surgiram os gaúchos com a soja Cristalina, o plantio direto, o milho e o algodão. Em 1995, o renomado agrônomo Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz (1970), após visitar nossos solos fracos recuperados, mal se conteve ao afirmar: “O fenômeno soja-cerrado-plantio direto, que acabo de ver, é o maior acontecimento agrícola do século 20, a nível mundial”.


Revisitando as mesmas regiões em fevereiro deste ano, o laureado técnico voltou a se entusiasmar: “O Brasil será no século 21 o que os Estados Unidos foram no século 20, em termos de desenvolvimento agrícola”.


É muito triste, decepcionante mesmo, que ilustres professores da Universidade Federal de Minas Gerais venham agora repetir a cansativa ladainha nos termos acima referidos, condenatória do trabalho ingente de tantos patrícios que arregaçam as mangas e vêm muito contribuindo para o engrandecimento do país. Foram eles que transformaram milhões de hectares de terras improdutivas em solos férteis, agricultáveis, responsáveis pela soja, milho, arroz, feijão, algodão, girassol e muitas outras que ora asseguram nossa alimentação e proporcionam excedentes exportáveis de que tanto dependemos.


Nossos acadêmicos podem ficar tranqüilos, pois sempre restarão grandes regiões de cerrado intocado nas áreas pedregosas ou de morros ou ainda com risco de inundação, além das reservas públicas como o Parque Nacional das Emas em Goiás, como as dos índios e muitas outras. Agora, condenar a transformação de terra pobre em solo fértil e fazer restrições ao eucalipto e à braquiária, não dá!
(ra)
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