JANEIRO 2019

Soja e outras plantas de verão em pleno crescimento.
Citros, café e cana de açúcar enfrentando limitações do clima.

 
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:: ALERTA CONTRA EROSÃO
Fernando Penteado Cardoso - agrisus@agrisus.org.br
ALERTA CONTRA A EROSÃO

Fernando Penteado Cardoso*

Dos problemas que se apresentam ao agricultor é o da erosão um daqueles que exige especial atenção, porquanto culmina ele no empobrecimento gradativo e fatal das terras cultivadas, pela ação das águas pluviais.

São desastrosos os feitos da erosão em campos de cultura nos quais nada se há feito no sentido de oferecer resistência a essa verdadeira sugadora do “húmus” das propriedades fertilizantes do solo.

Na fazenda “Anhumas”, de propriedade do Sr. Caio Ramos, os agrônomos Srs. Cassio Lanari e do Val, Eduardo Lacerda Camargo, Fernando Penteado Cardoso, João Lanari do Val, João Pacheco e Chaves, Jorge Duprat Cardoso e José Rafael Borba, do “Escritório Técnico Agrícola”, estão introduzindo um novo processo de combate à erosão, mediante os chamados “terraços”.

Sexta-feira úlitma, estiveram em visita aos campos daquela propriedade já dotado de “terraços” os Srs. Paulo Vageler, Felisberto de Camargo, Bierrembach de Castro, chefes de seção do Instituto Agronômico; Otávio Gali, Flávio Beltrame, José Setzer, Amaury Egydio de Souza Aranha, Brasil de Souza Costa, Angelo Covizza e representantes da imprensa de Campinas e dessa capital.

Os “terraços” constituem o sistema de combate à erosão mais empregado atualmente nos Estados Unidos. São grandes camalhões ou leiras de terra, guarnecendo o lado de baixo de um canal de bordos rampados, dispostos aproximadamente, segundo as curvas de nível do terreno. O canal de lado da leira tem um ligeiro declive, mais ou menos de 1:1000, permitindo o esgotamento da água em excesso. A distância entre um “terraço” e outro é variável, de acordo com a declividade do terreno e a qualidade do solo. É possível construir terraços em declive até de 12%. A profundidade do canal é, em média, de 50 centímetros e a largura total, compreendendo camalhão e canal, é de 4 metros.

Uma das vantagens deste sistema é não deixar o terreno “dividido”. As culturas em terras dotadas de “terraços” não são interrompidas, pois tanto o camalhão como o canal são plantados. Outra vantagem é a de que as linhas de plantas acompanham os “terraços”, ficando, portanto, também em nível, o que vem facilitar bastante os trabalhos mecânicos, tais como riscação, semeadura e cultivos.

Em chuvas normais, haverá uma retenção da água dentro dos canais. Todavia, para precipitações muito intensas, está previsto o esgotamento da água que não puder ser absorvida pelo solo. A água em excesso correrá pelos canais dos “terraços” até um “canal de esgotamento” comum, bem largo e protegido por tufos de capim. Essa proteção impedirá qualquer arrastamento de terra, embora a quantidade de água seja grande.

Os “terraços”, segundo informaram os agrônomos já nomeados, são um melhoramento permanente. Uma vez demarcados e construídos, a sua conservação depende apenas de observância de certas regras técnicas por ocasião das arações. Assim, as despesas com a construção constituem uma capitalização e não vem sobrecarregar uma determinada cultura durante um só ano. Atualmente o preço para construção de “terraços” é pouco superior ao de uma aração bem feita.

Foram esses, em resumo, os esclarecimentos fornecidos aos representantes da imprensa pelos agrônomos que proporcionaram a visita de sexta-feira última.

*Eng. Agrº – Escritório Técnico Agrícola – ETA

OESP – 1938 – Notícia no Supl. Agrícola


(mla)
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