MARÇO 2019

Colheita da soja avança para o final e milho segunda safra consolida plantio. Chuvas e calor recuperam desempenho de cultivos perenes.

 
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(ra)
:: Amazonistas de gabinete
Fernando Penteado Cardoso - Eng. Agr. Sênior, produtor e presidente da "Fundação Agrisus - Agricultura Sustentável".
Nossos “amazonistas de ar condicionado” voltam aos jornais com afirmativas enganosas, uma verdadeira mistificação do público menos avisado. Um conceituado periódico de São Paulo publicou recentemente artigo sob o título de “O Governo Sabe Quem Desmata”(1) inserindo foto espacial de uma abertura de 6,2 mil ha no município de Altamira/ PA, ao lado de outra imagem do mesmo local, obtida tempos atrás, antes da abertura.

O detalhe de pastos retangulares, cuja cor avermelhada indica vegetação de baixo porte, como gramíneas, mostra tratar-se de uma fazenda consolidada há mais de 2 anos. Uma foto de satélite logo após a queima daria uma cor cinza de vários matizes, jamais rosada.

Em nenhuma hipótese uma área desse porte poderia ser aberta em “pouco mais de um mês” como reza demagogicamente a notícia. Entre a roçada da vegetação fina (chamada broca e destinada a formar facho para a queima), a derrubada, o período para secar e a queimada no final da estiagem, gastam-se geralmente cerca de 8 meses.

As aberturas de floresta alta, geralmente autorizadas dentro do limite legal de 20%, representam um investimento substancial. Custa muito dinheiro, no mínimo R$ 200/ ha, remover as copas arbóreas e limpar o terreno, a fim de deixar entrar luz para inicialmente produzir carne vermelha e mais tarde seja lá o que for.

No início, geralmente semea-se capim para formar pasto que convive bem com troncos e tocos remanescentes da derrubada, pois são muito caros de arrancar e amontoar.

As lavouras “no toco”, igualmente viáveis, são bastante raras hoje em dia pelo tipo de mão de obra envolvida para semear com matraca, para depois fazer a colheita manual. Ainda são praticadas por “posseiros”, que fazem novas derrubadas a cada dois anos quando o terreno cultivado se torna praguejado de invasoras, com redução da área que a família pode plantar, tratar e colher.

Segundo o ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, em recente depoimento no Senado Federal, existem 500 mil famílias na Amazônia vivendo neste sistema tradicional de “derrubar, queimar, plantar duas safras e deixar virar capoeira”, sempre escolhendo a mata mais alta onde a terra é mais fértil e dá menos rebrota (juquira), como já faziam os índios com sua mandioca (2).

Vamos questionar se vale a pena produzir carne vermelha, e mais tarde cereais, nas terras altas, não montanhosas, não pedregosas e não alagadas da Amazônia, com o melhor clima do mundo para agricultura tropical, em lugar de manter a mata que nada não dá nada após a retirada da madeira de serraria.

É uma opção de renúncia à produção de riqueza, a exemplo do limite de 20%, que vale analisar e discutir. Mas dizer que formar pastagens, criar gado ou produzir cereais significa devastação é um absurdo. Que dizer então dos milhares de pequenos sítios onde se desmata anualmente a roça que a família pode tocar, para abandoná-la pouco depois?

Quando a matéria vier a ser tratada por amazonistas de pés no chão, que entraram na mata, arriscaram-se a uma malária e conviveram com posseiros, madeireiros e pecuaristas, então será possível uma discussão construtiva, para o bem de nosso país.

Não será a lenga-lenga das ONGs estrangeiras e de seus seguidores nativos, que trará argumentos válidos. As palavras sempre repetidas, tais como tragédia, desastre, destruição, devastação, etc. não passam de chavões sensacionalistas, do agrado dos amazonistas de gabinete e ar condicionado, bem como da imprensa ávida de impressionar seus leitores com fantasias sobre nosso deserto verde, pouco se importando com a renúncia de produzir riqueza.

(1)[OESP, 13.03.05, pág.A11]

(2)P.João Daniel: “Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas”, 1776- 1.200 pág.- Edit.Contraponto,1985
(ra)
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