JULHO 19

As colheitas de cana-de-açúcar, café, citros e muitas outras frutíferas avançam nas regiões produtoras enquanto o frio e a estação seca preparam as plantas para as novas floradas e futuras produções.

 
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(ra)
:: Plantio direto e a produção sustentável
Bernardo van Raij - Consultor da "Fundação Agrisus - Agricultura Sustentável".
Acrescente degradação do meio ambiente em diversas regiões do globo provocou, no início dos anos 90, movimento de proporções em defesa do futuro do planeta. Esse movimento culminou com a criação da Agenda 21, protocolo de intenções assinado pela maioria dos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê, entre muitas medidas, ações para a redução de emissão de poluentes, o combate à pobreza e a promoção de técnicas que viabilizem a produção sem agredir o meio ambiente.

O debate promovido pelos meios de comunicação sobre a Agenda 21 ocasionou algumas mudanças no comportamento de consumidores e na atuação de empresas. Para o consumidor, por exemplo, saber se determinado produto foi obtido a partir de um processo que não degrada o meio ambiente, ou se quem trabalhou para produzi-lo foi justamente remunerado, são questões que passaram a ser tão decisivas no momento da compra quanto preço ou qualidade do produto.

Essas são questões, por exemplo, que determinam a entrada de produtos agropecuários brasileiros em mercados exigentes, como União Européia, Japão e Estados Unidos. Percebendo essa realidade, as empresas de diversos elos do agronegócio brasileiro, responsáveis pela movimentação de R$ 500 bilhões anuais, não desejam ficar de fora desses mercados e procuram se adequar. Hoje, mais do que nunca, é evidente o crescimento do campo de atuação das empresas certificadoras, que concedem certificados de qualidade internacionais, sem os quais qualquer operação de exportação se toma praticamente inviável.

Buscando modelos de produção que aliem alta produtividade, com preservação do meio ambiente e desenvolvimento econômico e social, as empresas agropecuárias brasileiras voltaram-se novamente para uma técnica relativamente nova no Brasil. O Plantio Direto, ou o sistema de rotação de culturas que consiste, basicamente, no rompimento com a monocultura, herança da era colonial de nossa história. Trata-se do cultivo alternado de diferentes tipos de leguminosas (soja, milho, sorgo, algodão) e pastagens em uma mesma área.

Essa técnica revolucionou a produção agropecuária nos anos 70 e, até hoje, é o modo de produção que melhor resultados proporciona ao produtor. O Plantio Direto evita o desgaste do solo, a oxidação da matéria orgânica, a erosão - e conseqüentemente, assore­amento de rios, enchentes -, promove maior infiltração de água e reposição de aqüíferos, proporcionando maior quantidade de água durante a época da seca. Sem falar que melhora a produtividade das culturas em rotação, conservando matéria orgânica no solo.

Outra vantagem do Plantio Direto é a economia de combustíveis fósseis. A soja fixa naturalmente nitrogênio do ar no solo e a quantidade é tão grande que equivale a todo o nitrogênio mineral vendido no Brasil.

O Plantio Direto equacionou os principais problemas ambientais de um sistema produ­tivo que visa contemplar produtivida­de, meio ambiente e desenvolvimento. Muito ainda há de ser feito em relação aos direitos humanos e o respeito às leis trabalhistas, para assegurar aos tra­balhadores das cadeias produtivas do agronegócio o direito a padrões dignos de vida.
(ra)
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Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
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