JULHO 19

As colheitas de cana-de-açúcar, café, citros e muitas outras frutíferas avançam nas regiões produtoras enquanto o frio e a estação seca preparam as plantas para as novas floradas e futuras produções.

 
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(ra)
:: Salinidade dos solos
Décio Luiz Gazzoni - Engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja.
Os solos podem ser salinos devido à formação geológica ou por manejo inadequado da irrigação. Quando uma planta sensível é cultivada em solos salinos, reduz-se, significativamente, a capacidade de absorção de água pelas raízes. A planta é submetida a um estresse osmótico, conduzindo à toxicidade iônica, que desnatura enzimas do citoplasma, vitais para a síntese de proteínas e para a fotossíntese.

Já as halófitas são plantas adaptadas a solos salinos, que acumulam quantidades significativas de sais em seus tecidos, à exemplo de algumas palmáceas e da beterraba açucareira. A planta com essas características, que recebeu maior atenção dos cientistas brasileiros, é a forrageira erva-sal (Atriplex nummularia). Pode produzir até 26 t/ha de matéria fresca, sendo 80% aproveitado para alimentação animal. Do total de matéria verde, 1,2 ton/ha é composta de cinzas contendo os sais extraídos do solo.

Prospecção de genes

Um quarto das terras aráveis do mundo tem algum grau de salinidade. Na China, são 40 milhões de hectares salinos. Também ocorrem na África, Oceania e nas Américas. Plantas cultivadas tolerantes à salinidade através de transgênese, estão sendo desenvolvidas. Cientistas chineses isolaram de Erigeron acris os genes responsáveis pelos seqüestro de sal, introduzindo-os em A. thaliana, onde estão sendo estudados e avaliados, para posterior transferência para plantas de interesse comercial. Na primeira etapa do estudo foram investigados os mecanismos para conviver com a salinidade.

Desativando sais tóxicos

As plantas tolerantes acumulam o sódio nos vacúolos, enquanto o cloro é excluído nas células do sistema radicular. Algumas plantas direcionam os íons de sódio para glândulas localizadas nas folhas mais antigas, onde são imobilizados como cristais não tóxicos. A estratégia da planta, brilhantemente desenhada pelo Cientista Mor, é manter os sais tóxicos longe dos tecidos tenros do meristema e das folhas jovens, que estão iniciando o processo fotossintético.

O futuro

Apesar do sucesso, os cientistas precisam resolver outros problemas, como o estresse oxidativo induzido pela seca ou pela salinidade. Estão sendo prospectados genes associados com a habilidade das células em administrar o estresse oxidativo, nas plantas de tomate e de arroz e os genes descobertos estão compondo uma biblioteca para uso futuro.

Apenas em Arabidopsis, existem mais de 250.000 linhas transgênicas, onde estão sendo, garimpados genes para tolerância à salinidade. No entanto, é na biodiversidade que os geneticistas esperam encontrar um verdadeiro tesouro. Nas linhagens de trigo W4909 e W4910, desenvolvidas pelo USDA, os cientistas introduziram no trigo genes de um parente selvagem (wheatgrass), que sobrevive em ambientes salinos.

Brevemente, essas novas linhas serão testadas no campo e de seu sucesso pode surgir um novo salto tecnológico na produção de trigo, beneficiando as populações pobres que habitam solos salinos, atualmente inaptos para a agricultura.
(ra)
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Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
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