JANEIRO 2019

Soja e outras plantas de verão em pleno crescimento.
Citros, café e cana de açúcar enfrentando limitações do clima.

 
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:: Opções de coberturas em Sistema de Plantio Direto para região de clima tropical
Aroldo Marochi - Engenheiro agrônomo e gerente técnico de Desenvolvimento Tecnológico da Monsanto para o Cerrado.
A formação e a manutenção de cobertura morta nos trópicos, com destaque para a região do Cerrado, são alguns dos principais obstáculos encontrados para o estabelecimento do Sistema de Plantio Direto (Kluthcouski & Stone, 2003). A ausência de chuvas no período posterior à colheita de verão, a baixa adaptação - seguida do reduzido número de espécies destinadas à formação de cobertura para a sustentabilidade do Plantio Direto - são as grandes dificuldades encontradas pelos agricultores do Cerrado (Rodrigues & Lange, 2004).

A evidência disponível até agora é de que o Cerrado goza de vantagens comparativas na produção agrícola pelas características topográficas e extensão de áreas, porém os agravantes contrários à possibilidade de adotar um Plantio Direto eficaz parecem manter a região distante de uma agricultura sustentável, capaz de competir com aquela de outras regiões e mesmo com a de outros países.

Alternativas ao plantio de milheto

O milheto se mantém como um cultivo de grande importância para a estruturação e estabilidade dos sistemas de plantio nas regiões tropicais brasileiras, principalmente por sua boa formação de palhada. Segundo Bonamigo (1999), o seu uso em grande escala como cobertura secundária tem sua justificativa pela rapidez inicial de crescimento e menor necessidade de água em relação às outras espécies.

Apesar da rusticidade do milheto, que possibilitou a sua adaptação às condições de clima do Cerrado, alguns produtores e pesquisadores vêm notando um definhamento da planta nos últimos anos pelo uso contínuo do mesmo material, sem a troca por sementes de qualidade, já que muitos produtores passam anos seguidos colhendo e replantando a própria semente.

Na busca de alternativas que possam substituir o plantio de milheto na região do Cerrado, a equipe técnica da Monsanto iniciou, em 2005, o projeto Fronteira do Plantio Direto, que pesquisa coberturas mais eficazes consorciadas às culturas de milho (verão e safrinha) e soja. A iniciativa inclui também o desenvolvimento de híbridos de sorgo adaptados às condições de seca pós-colheita de soja, e com alta taxa de crescimento, para a semeadura no início das chuvas, na primavera, exclusivamente com objetivo de cobertura do solo; além de orientar e disponibilizar informações sobre manejo correto de coberturas para os produtores da localidade.

O primeiro passo de todo este processo é a retirada da grade niveladora fechada como sistema de incorporação de sementes de cobertura, prática bastante comum no Cerrado, substituindo pelo uso do correntão. Com peso, em média, de 20 a 30 kg/m, podendo ainda atingir até 100 m de comprimento e equipado com sistemas de destorcedores e mancais de grade nas extremidades, proporcionando o giro em toda a sua extensão, o correntão evita o arrasto de palhada e, ao ser tracionado por dois tratores, tem sido apontado como uma alternativa à gradagem. Entre suas vantagens, estão o maior rendimento operacional, menor custo, redução da incorporação dos resíduos culturais que se encontram sobre o solo e conseqüente menor decomposição da matéria orgânica.

Vantagens da Brachiaria ruziziensis

Alguns experimentos foram conduzidos pela Monsanto em municípios de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, entre 2003 e 2005, onde se procurou avaliar a eficiência de métodos de incorporação de sementes de milheto-ADR 300 e Brachiaria ruziziensis, comparando três métodos de incorporação (plantio em linha com semeadoras, grade niveladora fechada e correntão), com plantio realizado pós-colheita da soja (março/abril), em áreas previamente dessecadas com Roundup WG para se evitar a matocompetição inicial das plantas daninhas com as coberturas.

A Brachiaria ruziziensis mostrou-se altamente resistente à seca com alta produção de matéria seca por hectare, produzindo na média dos métodos de incorporação 144% a mais em comparação ao milheto. Estes resultados indicam que o correntão poderá ser uma boa alternativa de incorporação de sementes de coberturas, otimizando o tempo, aproveitando a umidade remanescente do solo, reduzindo o custo e, principalmente, mantendo os restos culturais da soja sobre a superfície do solo, evitando assim a queima de Matéria Orgânica (M.O.).

A Brachiaria ruziziensis nos experimentos conduzidos pela Monsanto foi selecionada pela análise dos seguintes critérios:

a) boa adaptação na região do Cerrado, sendo cultivada há mais de 25 anos como pastagem;

b) crescimento prostrado cobrindo rapidamente o solo, sem formação de touceiras, facilitando o desempenho das semeadouras, mantendo inalterada a velocidade e uniformidade de plantio;

c) bom desenvolvimento, tanto em solos de alta quanto de baixa fertilidade;

d) alta quantidade de raízes, ocupando todo o solo, promovendo agregação de partículas do solo, melhorando a estrutura física, aeração, retenção de água no solo. As raízes podem atingir profundidade superior a 1,5 m, favorecendo a reciclagem de nutrientes;

e) alta atividade fotossintética. Suporta períodos longos de seca e no retorno das chuvas apresenta alta velocidade de crescimento, podendo produzir até 800 kg ha-1 de Matéria Seca por semana;

f) a germinação pode ocorrer na superfície do solo, não necessitando de adequada incorporação das sementes, podendo ser utilizada em sobressemeadura;

g) facilidade de controle nas operações de dessecação, não necessitando de doses elevadas de glifosato, com morte rápida, facilitando o plantio;

h) boa relação C/N, mantendo a cobertura do solo por longo período.

Cruzamentos de sorgo com tolerância à seca e Sobressemeadura

Os melhoristas da Monsanto também desenvolveram cruzamentos de sorgo para obter materiais com alta tolerância à seca e alta capacidade de produção de matéria seca (M.S.). Deste projeto, foi selecionado um novo material denominado EXP. 04, o qual apresenta elevada taxa de crescimento inicial, superior ao milheto, alta resistência à seca e às principais doenças e boa relação C/N, favorecendo a manutenção da cobertura do solo por longo período. Quando semeado em março ou abril, poderá atingir até 19 t ha-1 de M.S. Isso é possível pelo seu rápido desenvolvimento inicial, aproveitando as últimas chuvas, resistindo depois até 140 dias sem chuva. A partir de setembro, quando retornam as chuvas, ocorre rebrote acentuado, produzindo novamente massa.

Nas avaliações realizadas no plantio da soja, observou-se que a B. ruziziensis e EXP 04 apresentaram as maiores produtividades de Matéria Seca por ha, comparativamente ao milheto, capim sudão e pousio, as quais se mantiveram superiores até a colheita da soja, restando quantidade superior a 5 ton ha-1, sendo esse resíduo superior à quantidade da cobertura inicial do pousio no momento do plantio da soja, fator fundamental para estabilidade do Sistema de Plantio Direto no Cerrado. Nessas áreas foi possível observar também redução na ordem de 78% da população de plantas daninhas nas parcelas cobertas com B. ruziziensis, comparativamente ao pousio.

Outra alternativa que a Monsanto está desenvolvendo no Cerrado é a sobressemeadura, alternativa que possibilita explorar mais a umidade do solo remanescente após o verão. A técnica consiste em distribuir sementes, em geral por avião ou trator, com distribuidor de adubo/calcário do tipo pendular ou disco, sobre o cultivo de soja na fase reprodutiva. De acordo com Landers (1995), a sobressemeadura apresenta as seguintes vantagens:

a) baixo custo de implantação;
b) rapidez e facilidade de operação;
c) baixo custo de manutenção da cultura instalada;
d) boa formação de palhada;
e) maior receita líquida;
f) maior produtividade da cultura subseqüente.

Para o sucesso desta tecnologia, é fundamental a existência de umidade no solo após o início da germinação da B. ruziziensis, pois a semente encontra-se na superfície do solo e a incidência direta do sol pode reduzir o stand. Nesta técnica, foi possível obter produção de Matéria Seca de 14 t ha-1 , com a B. ruziziensis, suportando longo período de seca.

Melhor época para a semeadura

Através de estudos desenvolvidos pela Monsanto, avaliando-se quantidade de sementes, época de semeadura, métodos de incorporação, influência dos herbicidas utilizados na cultura do milho e espaçamento, pode-se concluir que para o milho verão ou safrinha, a melhor época de realizar a semeadura foi entre 10 e 20 dias após a emergência do milho, independente se as sementes foram incorporadas ao solo com adubadeira ou jogadas a lanço na superfície, e os melhores resultados de cobertura do solo foram obtidos com 300 e 600 PVC, respectivamente, para sementes incorporadas e a lanço.


Fonte: Monsanto em Campo

(ra)
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