JULHO 19

As colheitas de cana-de-açúcar, café, citros e muitas outras frutíferas avançam nas regiões produtoras enquanto o frio e a estação seca preparam as plantas para as novas floradas e futuras produções.

 
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:: Agricultura de conservação voltada à cultura de cana-de-açúcar
Fernando Penteado Cardoso - Eng.Agr.Sênior, produtor, presidente da "Fundação Agrisus - Agricultura Sustentável"
3/ 4 de Julho, na ESALQ, abordando variados temas sobre a cultura da cana, tais como: variedades, invasoras, pragas, nematóides, correção/adubação, corte mecanizado, irrigação e plantio direto na reforma. A palestra de abertura estará a cargo do eng.agr.Fernando Penteado Cardoso, presidente da Fundação Agrisus, sob o título "Agricultura de Conservação em Cana de açúcar". Pormenores podem ser obtidos na ESALQ ("alicia@esalq.usp.br"). A Fundação Agrisus é uma das patrocinadoras.

Resumo da Palestra:

A cultura da cana é por sua natureza ajustada aos requisitos de uma agricultura sustentável, pelo fato de não exigir preparo anual do solo, requerer sulcos protetores em nível e manter um sistema radicular intenso e permanente. Assim tem se mantido estável e permanente ao longo dos anos e mesmo séculos.

Todavia, ressalvando o caso da cana colhida "crua", não está ainda bem equacionada sua adaptação às regras de uma agricultura de conservação, entendida como aquela que mantem o solo imperturbado recoberto por resíduos vegetais, conhecida por "plantio direto na palha".

Esta tecnologia que já se estende por cerca de 20 milhões de ha no país, entre culturas anuais e perenes tratadas por roçamento, constitui o recurso mais eficiente que se conhece para a sustentabilidade do sistema, entendido este como um conjunto de práticas agrícolas que apresenta viabilidade econômica, promove a melhoria e conservação tanto da fertilidade como das condições ambientais favoráveis e é socialmente útil ao assegurar a produção de alimentos, fibras e energia para a população consumidora.

Dentre as diversas observações do plantio direto em cana de açúcar cortada a mão após queima, relata-se o caso da Faz. Aparecida em Mogi Mirim/ SP (1600 mm de chuva, altitude 600m), onde foram plantados 307 ha em 1995, da variedade RB71454, em solo LREe (234 ha) e LVAd (73 ha), parte em Abril após soja e parte em Novembro após milho, sem qualquer preparo do solo alem dos sulcos de plantio, na ausência de camadas adensadas.

As adubações seguiram a orientação de aplicar:

a) 120 Kg/ha de P2O5+micros no sulco de plantio e 60 kg/ha no 4o e no 8o ano em risco no centro das ruas;

b) anualmente 100 kg/ha de N mais 190 kg/ha K2O em cobertura sobre as linhas e/ou em área total, combinados com 2 kg/ha de B no 4o ano e 20 kg/ha de Mg nos últimos 3 anos. Adicionalmente, no primeiro ano e a cada 2 anos seguintes, foi aplicado gesso, na média de 1.5 t/ha.

Após queima e corte, as leiras de palmitos são espalhadas por roçadeira. Sem nenhum cultivo, as invasoras são controladas por herbicidas vários, notando-se certa persistência da grama e do colonião.

No canavial (60% "de ano" e 40% "de ano e meio"), obtiveram-se as seguintes produtividades na seqüência do 1o ao 7o corte, a partir de 1996, em t/ha: 113.5 - 113.1 - 115.2 - 73.8 (1/2 dose de N) - 93.5 - 88.0 e 82.5, com média de 97.1 t/ha, sendo de 80 t/ha a estimativa do 8o corte.

Análises foliares em 2001 não mostraram correlação com o estado vegetativo e com a produtividade, porém com distinção para a cana de 8 meses. Análises locais de solo não apresentaram correlação de resultados entre algumas reboleiras mais verdes e o canavial amarelado, na acentuada seca de 2000.

Para garantia de muda para renovações futuras, foram plantados, em terra sem qualquer preparo e sem compactação inaceitável após 7 cortes:

a) 32 ha de "cana de ano" em Dezembro 02, após combate à grama, e

b) 12 ha de "cana de ano e meio" em Março 03, após dessecação de Brachiaria brizantha de 100 dias, adubada com 60 kg/ha de P2O5 no sulco, mais 50-85 kg/ha de N-K2O em cobertura.

A "palha" mostrou um volume de 22 t/ha de matéria seca, com relação C/N=40/1, contendo 246 kg/ha de N, 60 de P2O5 e 400 de K2O, em processo de reciclagem. Após amortização do plantio nos primeiros 5 cortes, o ponto de equilíbrio econômico situa-se ao redor de 45 t/ha aos custos e preços de 2002.
(ra)
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Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
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