MARÇO 2019

Colheita da soja avança para o final e milho segunda safra consolida plantio. Chuvas e calor recuperam desempenho de cultivos perenes.

 
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:: OS CALCÁRIOS SÃO TODOS IGUAIS?
Fernando Penteado Cardoso - Engenheiro Agrônomo Sênior-ESALQ-USP,1936 - Publicado Boletim APDC, julho 2005 - agrisus@agrisus.org.br
Contou-me recentemente o renomado colega Bernardo van Raij do Instituto Agronômico de Campinas, que recebera consulta de um produtor indagando sobre a reatividade dos calcários. Passou essa informação para mim porque nos anos 80 havíamos realizado na Manah um estudo inédito sobre a solubilidade desses corretivos em ácido cítrico a 2%, teste padrão tradicional para avaliar a reatividade dos fosfatos naturais.

A Manah se interessou pelo assunto tendo em vista os comentários de muitos clientes ao afirmar que, na recuperação dos cerrados, tinham que plantar arroz por um ou dois anos até que o solo ficasse corrigido, pois o efeito dos corretivos era sempre lento. Outros produtores informavam que, para abreviar a correção, faziam calagens sucessivas, correndo o risco de, a seguir, sofrerem danos por deficiência de manganês e outros micro-nutrientes, devido ao excesso de cálcio, quando as altas dosagens começassem a fazer efeito.

Solicitamos então a nossos representantes, supervisores e gerentes regionais que nos enviassem amostras oriundas das principais jazidas de calcita e dolomita de todo o país, as quais foram encaminhadas ao laboratório da nossa fábrica em Cubatão, onde os materiais de mais de 50 origens foram submetidos às seguintes análises:

1) determinação da granulometria (moagem) da amostra comercial;
2) determinação dos teores de cálcio e magnésio totais;
3) extração do cálcio e do magnésio por ácido cítrico a 2% em três situações:

a) no produto comercial;
b) no produto moído a peneira <100;
c) no produto calcinado a 1.000 graus C.

Optamos na ocasião pela extração cítrica porque o método fazia parte da rotina do laboratório. Poderiam ter sido usados, alternativamente, outros ácidos orgânicos diluídos como o ácido fórmico, acético ou outro. Os resultados mostraram claramente que os calcários apresentam diferenças de natureza mineralógica de acordo com sua característica cristalina: há corretivos mais “duros” e outros mais “moles”, a julgar pela extração cítrica.

O estudo revelou que, naquela época, a moagem em geral era bastante grosseira, em boa parte superior à peneira 100, alguns com certa porcentagem acima da peneira 50. As análises químicas mostraram que:

:: os calcários calcíticos e magnesianos apresentam maior reatividade quando finamente moídos, mas a extração cítrica total se dá somente com a calcinação;
:: os dolomíticos mantêm-se “duros” ainda que bem moídos, requerendo calcinação para se tornarem mais reativos e solúveis;
:: a calcinação pode ser feita a 700 graus C.

O estudo mostra que as especificações baseadas no PRNT (equivalência a CaCO3) são insuficientes quanto à reatividade. Houve caso de calcário dolomítico cujos PRNT na solubilidade cítrica foram de 13% no produto comercial, 17% após moagem e 180% quando calcinado, embora a garantia fosse de 91%. Outro, calcítico de PRNT 50%, mostrou os seguintes índices em ácido cítrico: 38% no produto tal qual, 67% quando bem moído e 100% após calcinação. Os calcários extra finos, conhecidos por “filer”, não foram testados, mas, ao que tudo indica, apresentam boa reatividade devido à extrema finura.

Os produtores devem dar atenção especial à reatividade dos calcários quando desejam um efeito rápido, como no caso da soja ou milho de primeiro ano nos cerrados ou campos nativos recém abertos. O preço deve ser analisado em função tanto dos teores totais, como também da reatividade, podendo haver grande economia de frete pela alta concentração dos produtos calcinados, por conterem óxidos de maior poder neutralizante que os carbonatos, que constituem os calcários moídos.

Quando produtos de alta reatividade não são disponíveis, há sempre o recurso ao gesso que contem cálcio solúvel além do enxofre, podendo o magnésio fazer parte das formulações. Cumpre, outrossim, aos nossos órgãos de pesquisa completar e ampliar esse estudo pioneiro dos corretivos calcários, iniciado em 1988 por nossa iniciativa, cujos resultados são de especial interesse para uma agricultura sustentável.

Para tabela de diferentes calcários, Clique aqui

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