JANEIRO 2019

Soja e outras plantas de verão em pleno crescimento.
Citros, café e cana de açúcar enfrentando limitações do clima.

 
 LANÇAMENTO BIOGRAFIA
 Busca
 
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo
(fc)
:: A ILP DE CHICO HOLANDÊS
Fernando Penteado Cardoso - Eng.Agr.Sênior, ESALQ-USP1936, Presidente da Fundação Agrisus - agrisus@agrisus.com.br
Leia o artigo detalhado do presidente da Agrisus, Fernando Penteado Cardoso, que mostra o sistema de integração desenvolvido pelo holandês Ake van der Vinne, conhecido como Chico Holandês, no oeste de Dourados(MS).

" Ake van der Vinne chegou ao Brasil em 1956, ainda menino acompanhando seus pais. Foram para Castro/PR junto com outras famílias vindas da Holanda. Conheceram o novo país de adoção, aprenderam, erraram, acertaram e pouco a pouco se tornaram conhecidos como gente diligente, adiantada e respeitada.

Na década de 1970, vinte anos depois, Ake foi tentar a sorte em Maracajú onde a terra era barata, plana e fácil de ser adaptada para operações mecanizadas. Ainda por cima o clima era favorável com chuvas abundantes no verão quente e menos intensas mas confiáveis no inverno ameno. Fazia parte de um grupo de famílias que deixavam Castro para tentar a sorte no latossol vermelho de cerrado ralo a oeste de Dourados/MS.

Relacionou-se com a população local, tornou-se querido e veio a receber a alcunha carinhosa de Chico Holandês.

Eu o conheci na década de 1980 quando visitava pessoalmente os clientes da Manah para aferir o grau de aceitação de nossos fertilizantes. Chico, desde então incluía a pastagem de verão como parte do sistema de rotação alternando com soja e milho.

Em 2004 levei os visitantes ilustres Dr. Norman Borlaug e Dr. Ed Runge para conhecer seu trabalho. Informou então que semeava Brachiaria ruziziensis misturada a P.maximum-Tanzânia junto com milho de verão para pastagem por ano e meio, a ser sucedida por soja. Disse ainda que o Tanzânia tinha melhor qualidade, mas que formava touceiras que dificultavam a semeadura. Por isso fazia a consorciação com Brachiaria. Os renomados visitantes manifestaram que Ake foi o produtor que mais os impressionara por seu sistema de rotação inteligente incluindo pastagem.

Informou na ocasião que engordava garrotes que chegavam a ganhar 1.000 kg/ha de peso vivo no período de dois invernos e um verão, que no segundo ano a capacidade caia muito e que aplicava até 200 kg/ha de nitrogênio para aumentar a produção de forragem.

Meses depois, quando a Fundação Agrisus aprovou o projeto conhecido por Arenito do Vale, localizado no latossolo arenoso Caiuá do Noroeste do Paraná, sugerimos que o agrônomo responsável visitasse a propriedade de Ake para incluir seu sistema como um dos tratamentos do experimento. Os resultados estão publicados com o título de “Pasto após Soja- Quatro anos de Validação” (vide site Agrisus).

Voltei a me encontrar com Chico dias atrás no “9º. Encontro de Plantio Direto de Rio Verde/GO. “Lá estava ele, sempre ávido por novidades em seu empenho de aprender.

Contou-me que na evolução do seu sistema, superando dificuldades e procurando sempre o melhor resultado, havia modificado os procedimentos.

Disse que seu ILP havia assegurado 30 safras sem qualquer frustação. Informou então, com pormenores, a tecnologia ora em execução, como seja uma rotação de 4 anos sempre com culturas de verão e inverno em sucessão:

1º. ANO- Soja precoce sobre cama de pastagem de 18 meses.
-Milho safrinha em Fevereiro sobre B.ruziziensis recém semeada com espaçamento de 20 cm, 300 unidades de VC/ha e comprimida por rolo articulado que se ajusta às variações do relevo. Sub dose de herbicida adequado se a B.ruzi. for estimulada por clima favorável. Não utiliza facão na semeadora pois o latossolo local como que “incha e amolece” ao se umedecer.

2º. ANO- Algodão sobre cama de B.ruziziensis pastoreada no inverno, com período de regeneração para aumento da fitomassa.
-Aveia preta consorciada com P.max. Tanzânia após a colheita, no mesmo sistema da Brachiaria. O rápido cresci-mento da aveia “abafa” o Tanzânia, a qual se recupera rapidamente após pastoreio, prolongando o período de uso do pasto.

3º. ANO- Soja precoce sobre cama de aveia e P.max.Tanz.. após regeneração, com tratamento preventivo contra a ferrugem antes que apareça.

-P.max. Aries, um híbrido de Aruana e Centauro, semeado logo após a soja, no mesmo sistema descrito no item 1. Este cultivar foi escolhido por apresentar melhor qualidade que as Brachiarias e não deixar touceiras que dificultam a semeadura da soja. É macio, tem colmos finos, pouco lenhosos, bem aceitos pelo gado durante o inverno.

4º. ANO- Pasto de P.max. Aries durante o verão, em continuidade ao existente e permanecendo durante o inverno seguinte até o dessecamento, após período de regeneração. A pastagem tem um período total de utilização de 15 meses, com potencial de produção de 1.000 kg/ha de peso vivo- PV, caso utilizada para animais de engorda.

A fazenda é subdividida em 4 seções, sendo que, no verão, 3 delas (75%) são
utilizadas para culturas e uma (25%) para pasto. No inverno 100% da área é formada em pastagem, sendo ¼ de pasto já utilizado e ¾ de capins novos, suculentos, verdes, de alto teor de proteína, vitaminas e minerais, com elevada digestibilidade.

Ake informou que está agora se dedicando à criação para venda de bezerros. Considerando que a área de pasto de verão produz 1.000 kg/ha de peso vivo e que a área remanescente pode produzir 250 kg/ha de PV durante o inverno, pode-se estimar a média de 300 kg/ha para a fazenda em seu todo, sejam cerca de 1,5 bezerros de 200 kg por ha/ano para a área perimetral considerada, compreendendo as culturas e a pastagem no verão.

Chico Holandês é incansável em seu afã de progredir e de melhorar sempre. É possível que no futuro venha a introduzir modificações em seu sistema afim de obter melhores resultados econômicos. Essa é a chave do desenvolvimento de uma agricultura progressista e permanente, por isso sustentável. "



(fc)
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo

Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
Contato: agrisus@agrisus.org.br e agrisus@fealq.org.br