JUNHO 19

Mês frio das tradicionais festas juninas, este ano deve ter calor acima da media em grande parte do país. Produtividades de plantas de inverno afetadas de forma imprevisível.

 
 ENTREGA PRÊMIO
 Busca
 
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo
(cv)
:: A AGRICULTURA E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Reinhold Stephanes - Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - www.revistaecoturismo.com.br
Em dezembro, o Brasil vai participar do mais importante encontro dos acordos ambientais: a conferência de Copenhague, na Dinamarca. A grande expectativa é a de que os países mais desenvolvidos, principais emissores de gases-estufa, assumam metas bem mais expressivas do que as adotadas na reunião anterior, em Kyoto.

Mesmo com a matriz energética fortemente apoiada em fontes renováveis e sendo um dos países mais ecológicos, o Brasil discute a estratégia para o cumprimento de metas. E, embora a participação na conferência se restrinja aos ministérios das Relações Exteriores, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, outros setores serão exigidos em ações futuras de mitigação, principalmente os responsabilizados pelas emissões.

A agricultura, deixada de fora da tomada dessas decisões estratégicas, não é esquecida quando se listam os emissores de gases-estufa no país. A prática das queimadas, por exemplo, embora em declínio, ainda é apontada como a principal responsável, seguida pelo desmatamento, pelo gás metano derivado do processo digestivo dos bovinos, pelos adubos e fertilizantes e pelo próprio uso da terra.

Mesmo com dados controversos sobre o grau de participação da agropecuária para o efeito estufa e as mudanças climáticas, há anos a questão mobiliza técnicos e cientistas do Ministério da Agricultura, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e do Instituto Nacional de Meteorologia.

O Ministério da Agricultura está ampliando a rede de observação de dados meteorológicos e participa da maioria dos fóruns de discussão sobre o tema, como a Conferência Mundial do Clima, realizada em setembro.
A própria política agrícola incorporou dados da plataforma de estudos científicos sobre o clima como ferramenta de tomada de decisões. E não é de hoje. Há 15 anos o zoneamento agrícola de risco climático, para concessão do crédito agrícola, adota a variabilidade climática e as tendências de aumento de temperatura. Assim, o ministério propõe épocas e áreas mais adequadas para o plantio de mais de 30 culturas.

Uma medida mais antiga é o incentivo oficial à adoção do sistema de plantio direto na palha, que, atualmente, atinge metade da área utilizada para lavouras. O plantio direto, quando bem manejado, é eficiente na retirada de carbono da atmosfera, entre outras vantagens. Vale destacar ainda a participação do Ministério da Agricultura na moratória da soja, evitando a derrubada de novas áreas para a produção.

O recém-lançado zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar também evidencia o forte engajamento da pasta na política de redução de gases de efeito estufa a partir dos biocombustíveis. O zoneamento prevê a diminuição da emissão pela substituição progressiva da queimada pela colheita mecânica até 2017.

Outros bons exemplos são o projeto de recuperação de áreas degradadas por pastagens e o sistema de rastreamento do gado por meio do georreferenciamento e monitoramento por satélite. Com o rastreamento, pretendemos atingir o desmatamento zero por causa do avanço da pecuária no bioma amazônico. As pastagens degradadas são emissoras de gases de efeito estufa e, ao recuperá-las, proporcionando aumento de sua produtividade, passa-se a sequestrar dióxido de carbono (CO2).

Essa ação, associada ao chamado sistema de integração da lavoura com a pecuária, tem um grande potencial de retirada de milhões de toneladas de CO2 da atmosfera. Os projetos listados, desenvolvidos por uma equipe de técnicos e cientistas de reputação internacional, dão ao Ministério da Agricultura um papel ativo nas ações de redução dos gases de efeito estufa.
Recomendável seria que esses profissionais também estivessem envolvidos na definição das propostas assumidas pelo Brasil e que irão impactar o setor nos próximos anos. O país teria argumentos mais consistentes de que estamos fazendo a nossa parte.

Publicado em 23/11/2009 no site da revista EcoTurismo (www.ecoturismo.com.br)
(cv)
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo

Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
Contato: agrisus@agrisus.org.br e agrisus@fealq.org.br