JULHO 19

As colheitas de cana-de-açúcar, café, citros e muitas outras frutíferas avançam nas regiões produtoras enquanto o frio e a estação seca preparam as plantas para as novas floradas e futuras produções.

 
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:: Estado da Arte do PD
F.Cardoso - Levantamento feito em cerca de 1000 lavouras visitadas - agrisus@agrisus.org.br
O ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO
O Projeto Rally da Safra 2006, realizado nos meses de fevereiro e março do corrente ano, incluiu, dentre seus objetivos, uma avaliação do estado da arte do Plantio Direto através de observações in loco e respostas a questionários, conforme projeto de iniciativa e financiamento da Fundação Agrisus.
Foram visitadas 977 lavouras de soja, sorteadas ao acaso, distribuídas por 233 municípios em 13 estados. Foram visitadas também 281 lavouras de milho, que não puderam ser analisadas por estarem com colheita adiantada confundindo os resíduos. Além das visitas, foram respondidos 1371 questionários por ocasião das 45 reuniões realizadas, com várias perguntas relacionadas ao sistema de plantio direto e à integração lavoura-pecuária.
A exemplo do sistema adotado no Rally 2004, os dados coligidos foram analisados em função de 4 regiões climáticas com condições diferenciadas no inverno.
R.1 –1ª.Região de inverno frio e chuvoso (RS, SC e sul do PR) com 5,4 M ha soja.
As 160 visitas revelaram que 99% adotavam o PD (5,3 M ha) sendo 97% (5,2 M ha) com boa cobertura (acima de 40%) de resíduos, predominando trigo e aveia, seguidos de pousío (resíduo variado indefinido).
As 334 respostas a questionários informam que 80% de propriedades têm menos de mil há, 99% adotando o PD, sendo 83% há mais de 10 anos, que 19% já empregaram gesso e que cerca de 49% se dedicam à pecuária.
R.2 -2ª.Região de inverno incerto, ora quente ora frio, com chuvas (restante do PR, sul de MS e sudoeste de SP)- 5,3 M há soja.
As 177 visitas mostraram 78% (4,1 M há) sob SPD e 51% (2,7 M ha) com boa cobertura na maioria com resíduos sortidos (pousío), seguida do milho e do trigo/ aveia indicadores do tipo de safrinha. Seis pontos exibindo restos de gramíneas sugerem pastoreio na entressafra.
Os 278 questionários mostram 73% de fazendas menores que mil há e 5% acima de 5.000 há; dos 97% que adotam o PD, 54% indicam acima de 10 anos; 66% já usaram gesso e 46% têm pastagens.
R.3 –3ª.Região de inverno quente com pouca chuva, (norte de MS, MT, RO, restante de SP, sudoeste de GO, triangulo MG)- 8,3 M há soja.
Os 363 pontos observados revelaram 76% sob PD (6,3 M há), sendo apenas 27% (2,2 M há) com boa cobertura, principalmente de milheto, seguido de pousío, milho e algodão. Sete pontos com sobras de gramíneas sugerem pastoreio antes da soja.
Foram respondidos 546 questionários indicando 44% de unidades com menos de mil há e já 14% acima de 5.000 há. O PD é adotado por 97% das respostas, sendo 39% há mais de 10 anos. Já usaram gesso 46% e 50% têm pastagem.
R.4 –4ª.Região de inverno quente e seco (restante de GO, TO, sul do PA, oeste da BA, sudoeste do PI e MA)- 3,0 M há soja.
Foram feitas 240 visitas que mostraram 51% (1,5 M há) sob PD sendo apenas 17% (500 mil há) com boa cobertura de resíduos na maioria milheto, seguido de pousío, milho e algodão indicadores de rotação anterior.
Cerca de 200 respostas a questionários informam 42% das propriedades com menos de mil há e 8% acima de 5.000. Com PD 89%, sendo 23% acima de 10 anos. Já empregaram gesso 63% e 54 % tem pastagem.
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As respostas aos questionários, cobrindo 22 M há soja, sugerem que participa de reuniões um público mais tecnificado, diverso da média dos produtores cujas lavouras foram inspecionadas ao acaso. Acima de 95% informam adotar o PD, enquanto as visitas indicam um pouco menos, sejam 77%. Praticamente todos informaram que tiveram áreas menos afetadas pela seca admitindo que o PD é atenuante da estiagem.
Cerca de 50% dos participantes responderam que se dedicam à pecuária, mas foram pouco conclusivas as respostas sobre como utilizam áreas de lavoura para pastoreio seja no inverno seja no verão.
Analisando visitas e questionários em conjunto, os resultados mostram que urge convencer os produtores de 23% da área de soja (5,1 M há) a iniciarem uma agricultura conservacionista sob PD e, aos que já a adotam, cerca de 30% (5 M há) de suas áreas devem ser melhoradas quanto à produção de resíduos para alcançar uma cobertura morta acima de 40%.

A maior dificuldade está na Região 4 onde o regime pluvial não propicia o segundo plantio -dito safrinha- após a colheita da soja. Para lá, ao que tudo indica, urge aperfeiçoar o sistema de sobre-semeio com uso de semente recoberta para melhorar a sobrevivência das plântulas recém germinadas. Cabe aos órgãos de pesquisa avaliarem o problema e desenvolverem tecnologias para resolvê- lo.

Uma parceria entre os órgãos do governo e as empresas de insumos e máquinas poderia vir a adotar um programa de extensão rural, baseado em demonstrações e dias de campo, afim de convencer os 25% dos produtores ainda relutantes a adotarem o PD.

É mundialmente aceito que o PD é o melhor sistema até agora descoberto para melhorar e conservar o solo, assegurando uma fertilidade crescente e estável, fundamento de uma agricultura sustentável.


FC-Para Direto no Cerrado-26/8/2006 23:47

(fc)
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