JUNHO 19

Mês frio das tradicionais festas juninas, este ano deve ter calor acima da media em grande parte do país. Produtividades de plantas de inverno afetadas de forma imprevisível.

 
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:: ENCOSTAS E BEIRAS-PERIGOS INFUNDADOS
Fernando Penteado Cardoso - agrisus@agrisus.org.br
ENCOSTAS E BEIRAS-PERIGOS INFUNDADOS


Desde os primórdios da agricultura no Brasil, quando era inexistente a disponibilidade de fertilizantes, os agricultores perceberam que as terras mais férteis coincidiam com as encostas das serras, o que é explicável pela origem geológica desses solos.

Outro motivo da preferência pelos declives era o menor risco de geadas, pois os danosos bolsões de ar frio se acumulam nas áreas planas sejam nas baixadas ou nos espigões.

Antigamente o controle das invasoras se fazia à enxada e as capinas morro acima eram mais fáceis, mas resultavam em escorrimentos que lavavam a terra em prejuízo da fertilidade. Alguns agricultores formaram cafezais e outras culturas alinhados em nível, com sulcos ou camalhões nas entrelinhas para proteção da erosão. Mesmo assim, os resultados nem sempre eram satisfatórios nas plantações mantidas “no limpo” por capinas continuadas.

Mais recentemente, o recurso dos herbicidas e dos fertilizantes, completados pelas roçadeiras, tratorizadas ou costais, tem permitido manter as encostas íngremes permanentemente recobertas de vegetação, com controle satisfatório da erosão e com melhoria da fertilidade.

Os equipamentos motorizados de roçada, de adubação e de pulverização sobem e descem bem os morros, mas funcionam mal quando inclinados lateralmente nas plantações em nível. A mecanização vem justificando o plantio em linhas retas independentes da topografia. A erosão não é mais problema devido à proteção oferecida pelo plantio direto e pelas gramíneas propositalmente semeadas e controladas por roçadas.

Resta analisar a utilização das margens dos rios, córregos e lagoas.

Preliminarmente, cumpre admitir que não está comprovado, por aferições in loco, que a vegetação arbórea protege os barrancos marginais dos cursos de água e das lagoas, assim evitando erosões.

Nas regiões de terras fracas, as margens não têm vegetação, salvo onde houve deposição de solo fértil, quando, então, formaram-se as matas ditas ciliares, das quais, tradicionalmente, só eram cortadas pequenas áreas para plantio de cereais.

Nas zonas de terra fértil, a mata nativa chegava até as margens dos rios, córregos e lagoas e as aberturas nem sempre respeitaram a vegetação das beiras, seja porque as queimadas as atingiam, seja porque continham ervas tóxicas para o gado, seja ainda por proteção humana no combate ao anofelino da malária.

Nas áreas de margens desmatadas não se constatam desbarrancamentos, erosões e outras alterações explicáveis pela falta de vegetação. Umas e outras não mostravam sinais de erosão, o que é comprovado por observações de sobrevôos e das fotos espaciais.

Há ainda a considerar a perda de área produtiva que pode chegar a 20% no caso de córregos separados de 300 m p.ex. quando as terras são “bem servidas de água”. A perda será menor nas áreas mais secas, de riachos afastados, as quais, paradoxalmente, poderiam se tornar mais valorizadas pelo menor desperdício de terra.

Os milhares de km de margens desflorestadas dificilmente ou jamais serão recompostos face aos custos envolvidos com cercas laterais, combate à formiga, custo das mudas, serviço de plantio e replantio, capinas ou roçadas por um ou dois anos, tarefas a executar na condição de pouca mão de obra própria da atividade pecuária e da agricultura mecanizada.

Os urbanitas pouco afeitos às lides do campo, ainda que bem intencionados, podem ficar tranquilos: a agricultura moderna dispõe de recursos para melhorar e conservar o solo nas encostas íngremes. Outrossim, o plantio atualmente existente nas margens dos fluxos e depósitos de água não constituem perigos ao ambiente nem à segurança do produtor.

No Brasil, enormes áreas mais declivosas e ao longo dos cursos de água produzem milhões de toneladas de alimentos – arroz, café, frutas, hortaliças, etc. – trazendo tranquilidade e bem estar às populações das cidades.

O mundo aproxima-se de uma fase de escassez de alimento em que se propõe um aumento de 40% na produção de cereais no Brasil. Cumpre nesta contingência cuidar dos fatores básicos para atingir as metas em expectativa, sem nos prendermos a restrições de menor importância, mas que podem limitar e dificultar a produção de grãos que o mundo espera de nosso país.


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