OUTUBRO 2018

Iniciado o plantio quando o solo recebeu chuva suficiente e os insumos entregues a tempo. Insumos mais caros devido a alta do dólar, que beneficiou o valor da produção. Pouca chuva no outono e inverno com reflexo sobre o lençol freático.

 
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(mla)
:: PESQUISA SOBRE FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO NA SOJA TEM RESULTADOS PROMISSORES
O projeto começou com uma pesquisa de mestrado de Luiz Gustavo Moretti de Souza, com orientação de Edson Lazarini e coorientação de Mariangela Hungria da Cunha, na Faculdade de Engenharia, Campus de Ilha Solteira, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Um artigo de Moretti sobre os resultados será publicado em breve, também com apoio da Agrisus, no periódico “Agronomy Journal” da “American Society of Agronomy”, na modalidade “open access”, para que possa ser amplamente divulgado.

Com os resultados obtidos na pesquisa, a estimativa atual é de economia de cerca de 20 bilhões de dólares por ano, que deixam de ser gastos com fertilizantes nitrogenados. Também é importante considerar a sustentabilidade do planeta, pois deixam de ser emitidos aproximadamente 60 milhões de toneladas de equivalentes de CO2 por ano, só por não usar fertilizantes nitrogenados na cultura da soja.

“O uso de microrganismos na agricultura brasileira substituindo, parcial ou totalmente, fertilizantes químicos, está crescendo exponencialmente. O nosso agricultor está cada vez mais familiarizado com o conceito microbiológico e isso é fantástico”, afirma a coorientadora Mariangela Hungria da Cunha.

Para ela, a pesquisa precisa continuar, outros conceitos precisam ser testados para permitir tetos de produtividade com genótipos mais produtivos, novos sistemas de cultivo e novos cenários agronômicos. “Um paradoxo nesse cenário positivo é o de que os produtos microbianos são muito baratos em relação aos produtos químicos. Com isso, obter financiamento privado é complicado, então as pesquisas precisam de apoio público e de Fundações, como a Agrisus”, afirma Mariangela. “O retorno econômico é para o agricultor, para o país, para o planeta, mas pequeno para o vendedor de insumo. É necessário descobrir mecanismos que premiem os benefícios obtidos e que possam ser retornados para pesquisas que resultem em novas tecnologias sustentáveis”.

Desenvolvimento da pesquisa

Os trabalhos clássicos indicavam que a nodulação de leguminosas sofre um processo de autorregulação pela planta. Por esse processo, a partir da formação do primeiro nódulo, seria cada vez mais difícil formar novos nódulos. Isso seria ainda mais impactante na nodulação inicial, que é crítica para o estabelecimento da cultura. Depois que esses nódulos morrem, pode aparecer uma população secundária, mas por volta do estágio de enchimento de grãos, um pouco tarde para fazer uma grande diferença. Uma boa nodulação é fundamental para a cultura da soja.

“Nossa hipótese, porém, era de que, fazendo uma boa inoculação nas sementes, haveria um bom número de nódulos, mas que dificilmente uma segunda inoculação conseguiria aumentar o número de nódulos. Então, nós fizemos a inoculação nas sementes e, depois, aplicações por pulverização dirigida para as raízes em estágios posteriores. E fomos surpreendidos com o grande aumento na nodulação, que resultou em aumento significativo no rendimento dos grãos, confirmados em duas safras”, explica a coorientadora.

Os primeiros resultados foram apresentados na Reunião Latinoamericana de Rizobiologia (RELAR), em Londrina, em junho de 2016, em evento também patrocinado pela Agrisus. Um dos patrocinadores era a Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) e as indústrias ficaram animadas em comprovar os dados apresentados.

De acordo com Marinagela, já foram feitos testes em várias propriedades, confirmando o melhor desempenho das plantas. O retorno por parte dos agricultores também foi positivo. “Agora, é estudar mais sobre equipamentos e modos de aplicação”, afirma.

A pesquisa terá desdobramentos: no campo do conhecimento, está se avançando na comparação com outra simbiose, a do feijoeiro, que é bastante particular e diferente da simbiose com a soja. Esse caminho abre boas possibilidades, principalmente pela importância do feijão na alimentação do brasileiro: “Vamos ver se ele consegue quebrar essa barreira da autorregulação”, diz Mariangela.

Divulgação dos resultados

O objetivo agora é divulgar cada vez mais os resultados obtidos. Para os agricultores serão feitos dias de campo para demonstração. Na Embrapa Soja, por exemplo, há uma parceria com a EMATER do Paraná. para divulgação especial da tecnologia de coinoculação da soja com Bradyrhizobium e Azospirillum.

O próximo passo é fazer a validação em larga escala dos resultados da inoculação adicional. “O trabalho foi escolhido para uma divulgação ampla para a mídia dos EUA. Eles vão escrever toda a história do trabalho, os princípios da planta autorregular a nodulação, a quebra do paradigma. Isso vai ser divulgado nas páginas da Sociedade Americana e na mídia como um todo. Estamos ansiosos para ver qual será a repercussão”, finaliza a coorientadora.



















Fonte: Fundação Agrisus
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Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
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