Junho 2018-Seca prejudicando milho safrinha. Transporte restabelecido de produtos agrícolas rumo aos portos e a outros destinos. Difunde-se o sistema de semear capins nas áreas de soja para pastoreio no inverno. Reporta-se fenação de parte desses prados.
 
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(mla)
:: DISSERTAÇÃO DE MESTRADO UTILIZA DADOS OBTIDOS POR PESQUISA FINANCIADA PELA AGRISUS
O tempo de duração da pesquisa foi de dois anos, considerando o período de planejamento e elaboração do projeto até a defesa de dissertação, composta por dois estudos. O primeiro foi realizado em parceria com a Fundação ABC em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.

 “Estudamos a ação da rotação de culturas em plantio direto em longo prazo (26 anos) na estrutura e na diversidade da comunidade de bactérias e arqueias. A conclusão foi que a cultura individualmente (trigo e/ou soja), independente se estava em sistema de sucessão (Trigo-Soja) ou rotação (Ervilhaca-Milho-Trigo-Soja) em longo prazo, foi responsável por modular a estrutura e a diversidade da comunidade bactérias e arqueias em solos”, explica Jéssica. “Neste sentido, reafirma-se a importância do cultivo diversificado em longo prazo (rotação), pois cada cultura em desenvolvimento pode afetar a ecologia do solo, que resulta na funcionalidade do sistema como um todo, como por exemplo, na ciclagem de carbono e nitrogênio”.

O segundo trabalho foi realizado em parceria com a Embrapa Pesca e Aquicultura, no bioma Cerrado. “Estudamos a adição de carbono via resíduos das plantas de cobertura e a calagem sobre a estrutura e a diversidade da comunidade de bactérias do solo. E concluímos que a planta de cobertura e a calagem modificaram a estrutura da comunidade de bactérias do solo, mas não influenciaram a diversidade”, afirma a pesquisadora. 

Aplicação prática

De acordo com a pesquisadora, o sistema de produção agrícola interfere diretamente na microbiologia do solo. E a comunidade microbiana é responsável por manter o sistema solo ativo e funcionando adequadamente, atuando diretamente na ciclagem de nutrientes, na dinâmica da matéria orgânica do solo, no controle das populações de patógenos.

“Nos dois estudos, durante o cultivo da soja identificamos a presença de um gênero de bactéria (Caditatus Xiphinematobacter) que só sobrevive na presença de nematóides, ou seja, indica a ocorrência de nematóides no solo. Esse resultado nos faz refletir no risco de aumentar a população de nematóides em monocultivos de soja e comprometer a produtividade do sistema, e a importância da rotação de culturas para diminuir o efeito danoso dos nematóides no solo”, afirma Jéssica.

“E para a região do Cerrado, identificamos que o plantio da  forrageira Mombaça (Panicum maximum  cv. Mombaça), como planta de cobertura, refletiu no aumento da produtividade da soja. O conjunto de resultados da nossa pesquisa sugere que a maior produtividade da soja nesse sistema pode estar relacionada ao aumento da população de  Bradyrhizobium (gênero de bactéria usualmente inoculado nas sementes da soja) em relação aos sistemas sem Mombaça, pois a planta de cobertura aumenta a viabilidade das células bacterianas”, conclui. 

Para Jéssica, o apoio da Agrisus  (PA Nº 1889/16) foi fundamental para realizar todas as etapas do projeto de pesquisa.  Os recursos foram utilizados para a aquisição de reagentes necessários às análises de atividade microbiológica e metabólica do solo, à extração do DNA total do solo e ao sequenciamento do 16 S rRNA que permitiu identificar quais as bactérias e arqueias presentes no solo de sistemas de culturas em plantio direto.

A equipe de trabalho foi formada por ela, juntamente com Fabiane Machado Vezzani, professora da UFPR e coordenadora do projeto; Glaciela Kaschuk e Emanuel Maltempi de Souza, professores da UFPR;  Eduardo Balsanelli , pós-doutor na UFPR; Rudimar Molin , pesquisador da Fundação ABC e Leandro Bortolon, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura.

“Agradecemos o apoio da Fundação Agrisus que viabilizou esse projeto. Esses resultados são importantes para Ciência do Solo e para a busca de uma agricultura mais sustentável”, concluiu Jéssica. 

O futuro

Para a pesquisadora, os resultados do trabalho mostram que a planta modula a comunidade microbiana do solo. Ela indica que, para futuras pesquisas, há a necessidade de estudar a estrutura e a funcionalidade da comunidade microbiana do solo sobre influencia de todas as plantas que compõem o sistema de rotação. Desta forma, será possível identificar a importância de cada cultura em um sistema de rotação. 

Jéssica pretende agora fazer doutorado mas sua linha de pesquisa ainda está em construção. Ela pretende trabalhar com manejo do carbono orgânico do solo em sistemas de produção de grãos, utilizando como ferramenta de avaliação a comunidade microbiana, pois ela é a grande responsável pela maioria dos processos que garantem o adequado funcionamento do sistema solo, tanto para a produção agrícola como para qualidade ambiental.

Para ler o relatório final da pesquisa PA 1889/16 clique aqui




 

Fonte: Fundação Agrisus
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