JULHO 2018-Safrinha de milho colhida com alguma seca na R2-Trigo semeado na R1. Iniciado pastoreio pós-soja, formados direto ou consorciado ao milho. Fenação na R4 para compensar retirada do gado para pastos permanentes mal brotados.
 
 RALLY DA SAFRA 2018
 Busca
 
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo
(mla)
:: PLANTIO DIRETO IMPEDE QUE PRODUÇÃO DE MILHO SAFRINHA SEJA AINDA MENOR
A estimativa apresentada em entrevista coletiva, em 25/06/2018, na sede da FIESP, em São Paulo, é de um volume total da safrinha de 55,2 milhões de toneladas para a safra 2017/18, contra 68,3 milhões do período anterior. A expedição técnica encerrou a avaliação das lavouras de milho no dia 08/06, após três equipes percorrerem mais de 20 mil quilômetros e realizarem 405 amostras nos estados do Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.

No Mato Grosso do Sul, o plantio ocorreu fora do calendário ideal. As lavouras plantadas após 20 de fevereiro foram as mais afetadas. A seca de mais de 40 dias trouxe prejuízos principalmente à região Sul do Estado, onde algumas áreas sequer serão colhidas. A produtividade média prevista caiu de 91 sacas por hectare na safra 2016/17 para 63,5 na safra 2017/18. A Agroconsult estima uma produção de 6,5 milhões de toneladas no Estado, volume 33% inferior em relação à safra passada.

Já no Paraná, em função do alongamento do ciclo da soja e consequente atraso na colheita, muitos produtores acabaram optando por migrar para trigo e aveia, reduzindo assim a área de plantio de milho. No Oeste do Estado, as lavouras plantadas até início de fevereiro apresentaram bom potencial. Já a região Norte foi mais atingida pela seca, além de ter sido bastante afetada pelos fortes ventos que causaram o tombamento de muitas lavouras. A produtividade média estimada para o Paraná caiu de 90,9 sacas por hectare na safra 2016/17 para 66 na safra 2017/18. A previsão de safra no Estado é de 8,5 milhões de toneladas, 36% menor que 2016/17.

Plantio Direto

A Fundação Agrisus apoia o Rally da safra desde 2006, com o objetivo de verificar o “estado da arte do plantio direto”. De acordo com André Pessoa, sócio diretor da Agroconsult e coordenador da expedição, se não fosse essa técnica a quebra seria bem maior, teríamos nos aproximado de um desastre este ano.

“Não houve uma mudança significativa na adoção da técnica em relação aos anos anteriores mas os resultados de produtividade nas regiões que enfrentaram o problema de estiagem são bastante perceptíveis entre quem tem uma palhada adequada, um plantio direto bem conduzido e quem não tem”, afirma o coordenador.

O sul de Mato Grosso do Sul, oeste e norte do Paraná, sul de São Paulo, que foram regiões bastante afetadas pela estiagem, são áreas que já possuem o plantio direto muito bem feito, segundo Pessôa: “Na maioria dos casos, a gente percebeu diferenças positivas em quem tinha uma palhada melhor, certamente mantida há mais tempo e com mais capricho, do que aqueles que não adotaram a tecnologia. Essa discrepância de resultados fica mais evidente em função do uso ou não da tecnologia, especialmente em um ano seco como foi esse. Essa foi a principal constatação nessas regiões. Em Goiás e Mato Grosso a gente não conseguiu ver uma diferença muito significativa porque o clima foi bem melhor do que o das regiões mais ao sul”.

Foram cerca de 43 dias sem chuva em um período crítico para a cultura do milho: “Não tem milagre, a produtividade vai ser menor. Certamente, se não houvesse o plantio direto nós teríamos uma queda ainda mais intensa mas a técnica não foi suficiente para neutralizar o feito de um período tão longo sem chuvas”, conclui Pessôa.

Estados “salvam” a produção

“O resultado geral não foi pior porque a produção do Mato Grosso e Goiás surpreendeu”, afirma Pessôa. Mesmo tendo enfrentado adversidades, como o atraso no início do plantio e períodos de estiagem localizados, os Estados apresentam bom potencial produtivo.

No Oeste do Mato Grosso, as condições são excelentes e o resultado deve ser superior ao da safra passada. No Médio-Norte, o potencial das lavouras está ligeiramente abaixo da safra anterior, o que configura ainda um ótimo resultado, pois em 2016/17 a produtividade foi recorde para a região. Já no Leste e Sudeste do Estado, o atraso no plantio e os danos causados pela seca trouxeram maiores prejuízos, contribuindo para que o Estado registrasse uma queda de produtividade estimada de 108,6 sacas por hectare na safra passada para 99 este ano. A produção deverá ser 10% menor, alcançando 26,6 milhões de toneladas.

Em Goiás, apesar do atraso no início do plantio do milho, a maior parte da área foi implantada no calendário ideal. As chuvas em meados de abril garantiram bom potencial das lavouras. A perspectiva é de uma safra inferior à passada, porém muito acima de 2015/16, quando o estado foi severamente atingido pela seca. As estimativas apontam queda na produtividade, de 100 sacas por hectare na safra passada para 88 na temporada atual. A produção no Estado deverá ser de 6,5 milhões de toneladas, 14% inferior à safra passada.

A produção total de milho (verão e safrinha) no Brasil deverá ficar em 82 milhões de toneladas, com queda de 17% sobre a safra 2016/17, quando chegou a 99 milhões de toneladas. A produtividade do cereal também sofreu redução, saindo de 94,6 sacas por hectare para 78,9 sacas neste ano.
 

Fonte: Fundação Agrisus
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo

Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
Contato: agrisus@agrisus.org.br e agrisus@fealq.org.br