JANEIRO 2019

Soja e outras plantas de verão em pleno crescimento.
Citros, café e cana de açúcar enfrentando limitações do clima.

 
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(mla)
:: A IMPORTÂNCIA DO SOLO COMO BASE DO SISTEMA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA
Para consultar o relatório final sobre o Encontro clique aqui. Todas as informações sobre os temas apresentados estão colocadas de forma resumida no relatório e também os “links do youtube” das palestras para aqueles que quiserem conhecer melhor os conteúdos.

Fundação Agrisus: A preocupação fundamental do evento foi a discussão sobre o solo. Quais os objetivos pretendidos?

Rogério Alves Rocha- Sim! Investir no solo produz os melhores resultados e a melhor relação benefício/custo de todo processo de produção agropecuário. Entender este complexo sistema solo-planta e quantificar os recursos e tecnologias que podem ser empregados na obtenção das melhores respostas, o grande desafio. Os conhecimentos adquiridos nos permitem dizer que a interação entre equilíbrio químico, rica estrutura biológica e boa estruturação física de todo o perfil, capacita o solo a proporcionar um excelente desenvolvimento radicular, uma ótima exploração de todos os recursos disponíveis e altas produtividades. Embora o emprego dos princípios básicos do sistema plantio direto: não revolvimento do solo, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura, interfira de maneira bastante positiva em todo o sistema, há muito a desenvolver, analisar e aprender sobre o manejo das interações entre equilíbrio químico, equilíbrio biológico, e equilíbrio da estrutura física. O principal objetivo foi transmitir aos agricultores e envolvidos com o agronegócio a importância do solo, como base de todo sistema de produção agrícola.

FA- Como está a situação do Vale do Paranapanema em relação à produção? Quais as principais culturas? São utilizadas técnicas sustentáveis? O que precisa ser aprimorado?

RAR- As principais culturas são a soja safra verão, o milho safrinha inverno e a cana-de-açúcar. Há vários tipos de combinação quanto à estrutura de produção. O sistema mais complexo envolve agricultores que plantam soja, milho safrinha e cana-de-açúcar na mesma propriedade, numa programação que envolve plantio direto, rotação de cultura e plantio de plantas de cobertura. Podemos afirmar que a produtividade média das culturas no Vale do Paranapanema é baixa quando se considera o potencial de produção dos solos da região, entretanto alguns agricultores estão obtendo ótimos resultados na região, inclusive com aumento ano a ano da produtividade média das áreas. O principal fator é o bom manejo do solo aliado ao uso das tecnologias do sistema plantio direto. O que pode ser feito é continuar trabalhando no sentido de aprender, experimentar, interagir, e principalmente difundir tecnologias fundamentadas.

FA - Qual a importância das tecnologias no aprimoramento da produção?

RAR- As novas tecnologias já estão impactando de modo positivo a forma de execução do processo de produção agropecuário. Como exemplo pode-se citar a tecnologia da informação embutida nos tratores, colhedoras e outros equipamentos agrícolas, na forma de tecnologia de navegação por satélite, que aliada à telemetria, possibilita o monitoramento cinemático em tempo real. A quantidade, qualidade e variabilidade de informações úteis ao processo de gestão da produção geradas no sistema são incalculáveis. A melhora na distribuição espacial das sementes, adubos, defensivos, nas atividades de cultivo das culturas, tem representado uma economia significativa de insumos e aumento de produtividade. A análise multiespectral de imagem, atualmente utilizada na análise de imagens de satélite no diagnóstico de problemas culturais em áreas comerciais, pode vir a ser ferramenta importante em diagnósticos de parâmetros agronômicos do sistema plantio direto, principalmente naqueles referentes ao solo. É difícil imaginar e mensurar os benefícios futuros das novas tecnologias no segmento do agronegócio.

FA- Como foi a discussão sobre plantio direto? A técnica é bem utilizada na região?

RAR- A maioria dos produtores da região ainda pratica o plantio direto, ou, não há revolvimento do solo, mas tão somente um processo de sucessão soja verão / milho safrinha de inverno. A rotação de culturas e o uso de plantas de coberturas, que representam os outros pilares do sistema plantio direto são praticados por uma minoria. Esses agricultores ávidos por informações e novas tecnologias são o público do 10º Fórum de Debates Sobre Sistema Plantio Direto. Um novo fórum de debates significa evoluir, aprimorar e entender melhor o sistema plantio direto. Em princípio este tem sido o foco principal da Associação de Plantio Direto do Vale do Paranapanema. A relação da região do Vale com o plantio direto sempre foi baseada em princípios conservacionistas, a erosão era o problema. Esse conceito vem mudando ao longo dos diversos fóruns de debates promovidos. As palestras técnicas abordam sempre os conceitos do sistema plantio direto e o centro das atenções dos pesquisadores, técnicos e mesmo agricultores é o solo. Neste evento, a palestra do Dr. Debiasi abordou o solo em todos os aspectos, propriedades químicas, biológicas e principalmente propriedades físicas do perfil, com destaque para a importância do manejo da biodiversidade com o uso de gramíneas tropicais, pela alta capacidade de gerar raízes, que produzem exsudados que serve de alimentos a biologia do solo, além do efeito mecânico de abertura de poros.

FA- O Rally da Colheita que foi apresentado trouxe bons resultados? Como foi desenvolvido o projeto?

RAR- Diretores da APDVP preocupados com as perdas observadas na colheita de soja na região consultaram os pesquisadores da Embrapa Soja, que responderam solícitos e interessados em desenvolver um trabalho de pesquisa sobre o problema. O Rally da colheita é um projeto desenvolvido em parceria com a Embrapa Soja de Londrina, Paraná, realizado na colheita da safra 2017/18, em um universo de 30.000 hectares avaliados, em 18 municípios da região, envolvendo 63 áreas produtoras diferentes e 130 colhedoras automotrizes. A estimativa da economia gerada neste trabalho é de 1 (uma) saca de soja por hectare, que representam 30.000 sacas de soja que deixaram de ser perdidas, e um montante de R$ 2.400.000,00 (R$80,00/sc). Orientados pelos pesquisadores da Embrapa, pela relevância das informações obtidas, os responsáveis diretos pelos trabalhos de campo, Agrônomo Jorge Benigno Neto e equipe, tabularam os resultados do projeto e apresentaram no VIII Congresso Brasileiro de Soja, realizado entre os dias 11 e 14 de junho de 2018, em Goiânia, Goiás. Outro bom resultado do Rally é a integração promovida entre produtores, APDVP e pesquisadores da Embrapa Soja durante o projeto e por ocasião do 10º Fórum de debates Sobre Sistema Plantio Direto (Valedireto Show), quando foram apresentados os resultados.

FA- Também foi discutida a questão da produção sustentável e da legislação ambiental. Em que medida a legislação favorece essa produção? Ela tem dado conta na região de alcançar seus objetivos?

RAR- O Novo Código Florestal é um aperfeiçoamento das leis ambientais e os agricultores do Vale de uma maneira geral estão aderindo. O único ponto de discórdia é a questão da reserva legal, que alguns entendem como um ponto fora de contexto, principalmente nas áreas de classe de solo com alta aptidão agrícola. Entender esse momento de regulamentação e adoção dos princípios da lei ambiente é primordial. Atender os requisitos do novo código representa evoluir a um novo “status”, uma nova referência, um novo padrão tecnológico de produção. O “mundo comercial” está atento às questões ambientais e barreiras podem ser derrubadas e superadas com a aplicação da lei. O objetivo no evento, apresentar para os agricultores da região a importância do meio ambiente no sistema de produção sustentável, e como a aplicação da legislação ambiental deve impactar suas propriedades e todo o Médio Vale do Paranapanema, e também quais são os marcos temporais a serem atendidos no cumprimento das etapas do processo.

FA- O que é e como funciona o Índice de Qualidade Participativa do Sistema Plantio Direto?

RAR- É a evolução do Índice de Qualidade Participativa do Sistema Plantio Direto, desenvolvido inicialmente como uma metodologia participativa para a avaliação de plantio direto implantado na bacia do Paraná nos anos de 2003/2004, pelo Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), no projeto “Cultivando Água Boa” de cooperação Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação e Itaipu binacional.
Técnica e cientificamente fundamentado, o IQP permite avaliar a qualidade do sistema plantio direto de um agricultor, usando como princípios oito indicadores, um fator de pontuação e uma regra de cálculo. Em princípio, respondendo 25 perguntas, obtêm-se as notas sistematizadas. Com essas notas, com esses pontos e com os indicadores, é possível identificar onde estão os pontos fracos, quais problemas estão ocorrendo, quais decisões deverão ser tomadas no futuro. As bases são: ser participativo; utilizar a lógica do sistema de gestão de recursos hídricos (bacias hidrográficas); valorizar a questão ambiental; ter o agricultor como protagonista. O objetivo, além de avaliar os impactos na atmosfera, nos recursos hídricos e na biodiversidade, é provocar a melhoria contínua das práticas agrícolas.

FA- Qual o balanço final do encontro?

RAR - Positivo! A viabilização do desenvolvimento de um IQP participativo do Vale do Paranapanema, numa parceria com a FEBRAPDP, tendo como base um grupo de agricultores selecionados e comprometidos, representa principal fato positivo. O tempo gasto nas sessões de debates e perguntas das mesas redondas superou o tempo das apresentações em todas as palestras, o quê demonstra o interesse do público presente sobre os temas propostos. Outros resultados que demonstram o sucesso, como: o aumento significativo de associados da APDVP, o interesse dos agricultores em propor temas para o próximo evento, o interesse das empresas parceiras de participação nos próximos eventos, venda do estoque de “Kits de perdas na colheita” da Embrapa Soja, a presença significativa de engenheiros agrônomos, advogados, pesquisadores, professores de universidades, produtores rurais, e público geral.

Fonte: Fundação Agrisus
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Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
Contato: agrisus@agrisus.org.br e agrisus@fealq.org.br